Título: PRETERISMO EXTREMO: A Heresia da Escatologia Consumada Surgida no Século XVII"
Subtítulo: Uma Análise Crítica da Rejeição das Profecias Futuras e suas Implicações Teológicas
Sinopse:
"Preterismo Extremo: A Heresia da Escatologia Consumada Surgida no Século XVII" é uma análise crítica e detalhada de uma das correntes escatológicas mais controversas da teologia cristã. O autor explora o preterismo extremo, que afirma que todos os eventos proféticos da Bíblia — incluindo a segunda vinda de Cristo, o juízo final e a ressurreição dos mortos — foram cumpridos em 70 d.C., com a destruição de Jerusalém e do Templo.
A obra traça a origem e o desenvolvimento do preterismo, desde suas raízes na Contra-Reforma com Luis de Alcasar até sua evolução no século XX, liderada por pensadores como Max R. King. A análise abrange as principais propostas teológicas dessa visão, suas divergências com o preterismo moderado e suas tensões com a tradição histórica do cristianismo.
Além disso, o livro examina as passagens bíblicas centrais utilizadas pelos preteristas consumados, juntamente com as críticas teológicas e hermenêuticas que desafiam a validade dessa abordagem. O autor também discute as implicações do preterismo extremo para a doutrina da ressurreição, o retorno de Cristo e a esperança escatológica da Igreja, mostrando como essa visão nega aspectos fundamentais da fé cristã.
Com uma abordagem acadêmica, mas acessível, Preterismo Extremo não só oferece uma compreensão profunda dessa heresia, mas também convida os leitores a refletirem sobre a importância da escatologia bíblica para a teologia cristã e a vida da Igreja nos dias atuais. Este livro é um recurso essencial para estudiosos, pastores e líderes cristãos que buscam entender as complexidades das correntes escatológicas e sua aplicação na fé contemporânea.
ÍNDICE
1. Introdução
Definição e Contextualização do Preterismo Extremo
Objetivo do Estudo e Justificativa
Estrutura do Trabalho
2. A Origem do Preterismo
O Contexto Histórico e Religioso do Século XVI
Luis de Alcasar e o Desenvolvimento do Preterismo
A Resposta da Igreja Católica às Acusações Protestantes
O Papel do Preterismo na Contra-Reforma
3. O Desenvolvimento da Escatologia Consumada
Definição e Características do Preterismo Extremo
A Evolução da Teoria no Século XIX e XX
Principais Teólogos e Proponentes do Preterismo Extremo
Max R. King e a Sistematização do Preterismo Consumado
4. O Contexto Histórico do Preterismo
O Impacto da Reforma Protestante nas Interpretações Escatológicas
O Papel de Alcasar e a Apologia Católica
A Rejeição do Preterismo pelos Reformadores
A Influência do Preterismo Moderado na Controvérsia Escatológica
5. A Teologia do Preterismo Extremo (Consumado)
A Interpretação das Profecias Bíblicas no Preterismo Consumado
A Segunda Vinda de Cristo e o Juízo Final
A Ressurreição dos Mortos e o Novo Céu e Nova Terra
A Visão de 70 d.C. como Cumprimento Final das Profecias
6. Principais Passagens Bíblicas Interpretadas pelo Preterismo Extremo
Mateus 24:34 – "Esta Geração"
Lucas 21:22 – O Cumprimento das Profecias
Apocalipse 1:1 e 22:10 – "Em Breve" e "As Coisas Que Devem Acontecer"
Outras Passagens Relevantes: 1 Coríntios 15, João 5, Atos 1, Apocalipse 20
7. Críticas Teológicas ao Preterismo Consumado
A Negação da Ressurreição Física
A Confusão entre Juízo Local e Universal
A Minimização da Esperança Escatológica
Divergências com os Credos Históricos da Igreja
8. Implicações Teológicas do Preterismo Consumado
A Perda da Esperança Escatológica
A Redução da Redenção Cósmica
A Reinterpretação da Ressurreição
O Impacto sobre a Doutrina Cristã Tradicional
9. Problemas Hermenêuticos e Interpretativos
O Uso Seletivo de Textos Bíblicos
A Redução do Contexto Universal a um Evento Local
A Exclusão de uma Interpretação Futura e Universal
10. Rejeição e Relevância do Preterismo Consumado na Tradição Cristã
A Rejeição pelo Cristianismo Ortodoxo e Histórico
A Aceitação em Grupos Dissidentes
O Preterismo e a Tradição Escatológica da Igreja
O Futuro do Preterismo Consumado no Debate Teológico
11. Conclusão
Resumo das Questões Teológicas e Hermenêuticas
O Preterismo Consumado como Heresia: Uma Avaliação Crítica
Considerações Finais sobre a Escatologia Cristã pré milenista histórica pós tribulacionista
VAMOS COMEÇAR O NOSSO ESTUDO:
CAPÍTULO UM
1. INTRODUÇÃO
A presente obra que você tem em mãos visa fornecer uma compreensão clara e abrangente sobre o preterismo extremo, uma corrente escatológica que surgiu como uma vertente controversa dentro da interpretação profética das Escrituras. O preterismo extremo, ou escatologia consumada, afirma que todas as profecias bíblicas, incluindo a segunda vinda de Cristo, o juízo final e a ressurreição dos mortos, se cumpriram no contexto histórico da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Este fenômeno teológico, amplamente debatido ao longo da história da Igreja, será investigado de maneira profunda, analisando suas origens, evolução e os principais aspectos teológicos que a compõem. Ao longo do estudo, o autor busca iluminar as implicações dessa corrente para a fé cristã, particularmente em relação às doutrinas fundamentais da escatologia cristã tradicional.
1.DEFINIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DO PRETERISMO EXTREMO
O preterismo é uma abordagem teológica que propõe que muitas das profecias escatológicas do Antigo e do Novo Testamento, especialmente aquelas encontradas no livro do Apocalipse e nos discursos proféticos de Jesus, foram cumpridas no passado, particularmente no contexto do Império Romano e da destruição de Jerusalém em 70 d.C. O preterismo pode ser classificado em duas formas principais: moderado e extremo. Enquanto o preterismo moderado sustenta que a maior parte das profecias se cumpriu no passado, mas ainda espera a realização futura de certos eventos como a ressurreição dos mortos e o retorno físico de Cristo, o preterismo extremo, ou escatologia consumada, vai um passo além. Para os preteristas extremos, todos os eventos escatológicos, incluindo a vinda final de Cristo e o juízo universal, teriam se cumprido completamente até o ano 70 d.C.
A história do preterismo extremo remonta ao século XVII, com a obra de Luis de Alcasar, um jesuíta espanhol, que visava interpretar o Apocalipse e outras passagens escatológicas como cumpridas no contexto do primeiro século. Contudo, foi no século XX que o preterismo extremo se consolidou como uma visão teológica sistemática, notadamente com as obras de Max R. King. A partir da década de 1970, King e outros pensadores passaram a divulgar de forma sistemática a ideia de que a destruição de Jerusalém marcou o cumprimento final das profecias escatológicas, sem qualquer evento futuro iminente.
Objetivo do Estudo e Justificativa
O objetivo principal deste livro é oferecer uma análise profunda do preterismo extremo, com foco nas suas raízes históricas, desenvolvimento teológico e implicações para as doutrinas fundamentais da escatologia cristã. Este trabalho busca entender as motivações e as questões que levaram ao surgimento dessa corrente teológica, assim como suas diferenças em relação ao preterismo moderado e outras correntes escatológicas, como o futurismo e o historicismo. O estudo visa também avaliar as críticas teológicas e hermenêuticas que o preterismo extremo enfrenta, especialmente no que diz respeito à ressurreição dos mortos, ao retorno físico de Cristo e à expectativa escatológica da Igreja.
A justificativa para a realização deste estudo reside na crescente disseminação do preterismo extremo em certos círculos teológicos, especialmente nos Estados Unidos, onde sua influência tem sido crescente. Embora amplamente rejeitado pela maioria das tradições cristãs históricas, o preterismo extremo continua a atrair seguidores, que o veem como uma forma coerente de interpretar as Escrituras à luz da história do primeiro século. Com isso, o presente estudo busca contribuir para a compreensão crítica desta corrente teológica, oferecendo uma reflexão sobre suas implicações para a fé cristã contemporânea e suas divergências com a teologia cristã tradicional.
Estrutura do Trabalho
Este trabalho está estruturado de maneira a fornecer uma abordagem progressiva e sistemática do preterismo extremo. A seguir, apresenta-se um breve esboço da organização do conteúdo:
Introdução (JÁ EXPLICADA NO CAPÍTULO 1)
Definição e Contextualização do Preterismo Extremo
Neste primeiro capítulo, introduzimos o conceito do Preterismo Extremo (ou Preterismo Consumado), abordando sua definição e o contexto histórico e teológico em que essa corrente escatológica surge. A contextualização será crucial para entender o impacto e a controvérsia que o Preterismo gerou dentro da Igreja, especialmente no debate sobre o cumprimento das profecias bíblicas.
Objetivo do Estudo e Justificativa
O principal objetivo deste estudo é examinar o Preterismo Extremo sob uma perspectiva crítica, avaliando suas implicações teológicas, hermenêuticas e históricas. Justifica-se essa investigação devido ao impacto crescente dessa interpretação escatológica na contemporaneidade, especialmente no que diz respeito à sua defesa por grupos dissidentes e à rejeição das tradições escatológicas históricas da Igreja. O estudo pretende oferecer uma visão detalhada dos aspectos que envolvem essa corrente teológica, com base em uma análise das Escrituras e dos debates históricos e teológicos que a cercam.
Estrutura do Trabalho
Os próximos desdobramentos desta obra estão organizados da seguinte maneira:
Capítulo 2: A Origem do Preterismo
Neste capítulo, investigamos a origem do Preterismo, explorando o contexto histórico e religioso do século XVI, com foco na figura de Luís de Alcasar e no desenvolvimento inicial do Preterismo. Também abordamos a resposta da Igreja Católica às acusações protestantes e o papel do Preterismo durante a Contra-Reforma.
Capítulo 3: O Desenvolvimento da Escatologia Consumada
A análise da evolução do Preterismo Extremo ao longo dos séculos XIX e XX é abordada, destacando teólogos chave como Max R. King e a sistematização do Preterismo Consumado. O capítulo examina como a teoria se desenvolveu e as suas características fundamentais.
Capítulo 4: O Contexto Histórico do Preterismo
Investigamos o impacto da Reforma
Protestante nas interpretações escatológicas, com ênfase no papel de Alcasar e na apologia católica. Além disso, abordamos a rejeição do Preterismo pelos reformadores e a influência do Preterismo Moderado nas controvérsias escatológicas.
Capítulo 5: A Teologia do Preterismo Extremo (Consumado)
Este capítulo se dedica a analisar as principais doutrinas do Preterismo Consumado, como a interpretação das profecias bíblicas, a segunda vinda de Cristo, o juízo final, a ressurreição dos mortos e a visão de 70 d.C. como o cumprimento final das profecias.
Capítulo 6: Principais Passagens Bíblicas Interpretadas pelo Preterismo Extremo
Este capítulo analisa passagens chave das Escrituras, como Mateus 24:34, Lucas 21:22, Apocalipse 1:1 e outras, interpretadas de acordo com a perspectiva do Preterismo Extremo. Serão discutidas as implicações dessas interpretações e como elas são aplicadas na construção da teoria.
Capítulo 7: Críticas Teológicas ao Preterismo Consumado
Aqui, abordamos as principais críticas teológicas ao Preterismo Consumado, incluindo a negação da ressurreição física, a confusão entre juízo local e universal, a minimização da esperança escatológica e as divergências com os credos históricos da Igreja.
Capítulo 8: Implicações Teológicas do Preterismo Consumado
O impacto do Preterismo Consumado sobre a doutrina cristã será discutido, incluindo as consequências para a esperança escatológica, a redenção cósmica, a reinterpretação da ressurreição e outros aspectos fundamentais da teologia cristã.
Capítulo 9: Problemas Hermenêuticos e Interpretativos
Este capítulo explora os problemas hermenêuticos e interpretativos associados ao Preterismo Consumado, como o uso seletivo de textos bíblicos, a redução do contexto universal a um evento local e a exclusão de uma interpretação futura e universal.
Capítulo 10: Rejeição e Relevância do Preterismo Consumado na Tradição Cristã
Analisamos como o Preterismo Consumado foi rejeitado pelo cristianismo ortodoxo e histórico, sua aceitação em grupos dissidentes e sua relevância dentro da tradição escatológica da Igreja. Também são discutidas as perspectivas sobre o futuro do Preterismo no debate teológico contemporâneo.
Capítulo 11: Conclusão
O trabalho se conclui com um resumo das questões teológicas e hermenêuticas discutidas, apresentando uma avaliação crítica sobre a ideia de que o Preterismo Consumado constitui uma heresia. Serão também feitas considerações finais sobre o papel da escatologia cristã, especialmente dentro das perspectivas pré-milenista, histórica e pós-tribulacionista.
VAMOS AGORA PARA O CAPÍTULO DOIS
2..A ORIGEM DO PRETERISMO
O Preterismo, uma corrente escatológica que interpreta as profecias bíblicas, especialmente as apocalípticas, como eventos já cumpridos no passado, tem suas raízes ligadas a uma série de acontecimentos históricos e religiosos. Este capítulo visa explorar as origens dessa interpretação, com foco no contexto histórico e religioso do século XVI, a contribuição de Luís de Alcasar, as respostas da Igreja Católica às acusações protestantes e o papel do Preterismo na Contra-Reforma. A análise deste contexto é crucial para compreender como o Preterismo se desenvolveu e como ele reflete as tensões religiosas da época.
Luís de Alcasar (ou Luis de Alcasar) nasceu em 1554, na cidade de Sevilha, na Espanha. Ele foi um teólogo e jesuíta espanhol, reconhecido principalmente por suas contribuições à teologia escatológica, especialmente através do desenvolvimento e sistematização do Preterismo, que interpreta muitas das profecias bíblicas, em particular as do Apocalipse, como eventos que já ocorreram no passado.
Informações Pessoais e Eclesiásticas
Luís de Alcasar entrou para a Companhia de Jesus, uma ordem religiosa fundada por Santo Inácio de Loyola, e dedicou sua vida ao serviço da Igreja Católica. Ele foi ordenado sacerdote e exerceu várias funções dentro da ordem, incluindo o cargo de professor e teólogo. Embora sua biografia pessoal e familiar não seja amplamente documentada, sabe-se que ele era profundamente comprometido com o trabalho teológico e acadêmico, sendo muito ativo na formação de outros membros da Companhia de Jesus.
Morte e Causa
Luís de Alcasar (da ordem dos jesuítas, i.é, um padre jesuíta) faleceu em 1613, em Roma, onde passou os últimos anos de sua vida. As causas de sua morte não são completamente claras, mas é possível que tenha morrido de uma doença relacionada à saúde debilitada por seus anos de intenso trabalho e dedicação à teologia. Não há registros definitivos sobre sua morte, mas muitos estudiosos concordam que ele morreu de causas naturais, possivelmente agravadas pelo estresse físico e intelectual.
Contribuições Teológicas e Legado
Alcasar foi um dos primeiros teólogos a desenvolver a interpretação preterista do Apocalipse, uma visão que considera que muitas das profecias descritas no livro de Apocalipse, bem como outras passagens escatológicas, já foram cumpridas no passado, principalmente na destruição de Jerusalém em 70 d.C. Sua obra mais conhecida, Vestigatio arcani sensus in Apocalypsi (1604), foi uma tentativa de apresentar uma interpretação do Apocalipse que se alinhasse com a história recente, afastando a ideia de que as profecias se referiam a eventos futuros.
Sua obra teve um impacto significativo na Igreja Católica, especialmente no contexto da Contra-Reforma, pois ofereceu uma resposta teológica ao protestantismo e às acusações de heresia. Ele procurou reinterpretar as profecias bíblicas para defender a Igreja Católica contra a acusação protestante de ser a "Besta" de Apocalipse, minimizando as críticas protestantes sobre o papel da Igreja na história do cristianismo.
Influência e Reconhecimento
Alcasar foi reconhecido como um importante teólogo dentro da Companhia de Jesus, sendo muito respeitado por seus colegas e superiores. Sua contribuição ao Preterismo e à escatologia católica perdurou por vários séculos, e sua obra influenciou teólogos tanto dentro da Igreja Católica quanto em outros contextos religiosos. Contudo, seu impacto não foi unânime, e suas ideias foram tanto elogiadas quanto criticadas, especialmente por aqueles que favoreciam interpretações mais futuristas ou literais das profecias bíblicas.
Em resumo, Luís de Alcasar foi uma figura central no desenvolvimento do Preterismo e desempenhou um papel crucial na resposta teológica da Igreja Católica às críticas protestantes, especialmente no que se refere às profecias bíblicas. Sua vida dedicada à teologia e seu trabalho na interpretação das Escrituras continuam a ser estudados e discutidos em círculos acadêmicos até os dias atuais.
O Contexto Histórico e Religioso do Século XVI
O século XVI foi um período de intensas mudanças políticas, sociais e religiosas na Europa, com a Reforma Protestante, liderada por figuras como Martinho Lutero e João Calvino, sendo um dos principais marcos dessa transformação. A Igreja Católica Romana, que até então exercia um controle quase absoluto sobre a religião na Europa Ocidental, foi desafiada por novas doutrinas e práticas. Esse período de crise religiosa levou a Igreja Católica a reconsiderar suas próprias doutrinas e práticas para resistir ao avanço do protestantismo. Ao mesmo tempo, surgiram novas abordagens teológicas dentro da Igreja Católica para lidar com os desafios apresentados pelas críticas protestantes, particularmente em relação às questões escatológicas.
Antes da Reforma Protestante e do surgimento da nova interpretação escatológica que viria a ser associada ao Preterismo, a Igreja Católica Romana seguia predominantemente uma visão escatológica amilenista, que entendia as profecias bíblicas de forma simbólica e não literal. A escatologia amilenista, de modo geral, rejeitava interpretações futuristas literais, como a ideia de um reino terreno de mil anos (milênio), e via a realização das promessas escatológicas como ocorrendo de forma espiritual e já iniciada com a vida, morte e ressurreição de Cristo.
Escatologia Católica antes da Reforma:
Amilenismo: A maioria dos teólogos católicos da Idade Média e do Renascimento sustentava uma visão amilenista. Nessa perspectiva, o "milênio" mencionado em Apocalipse 20 não era entendido como um período literal de mil anos de domínio terrestre de Cristo, mas como uma era simbólica que representa o reinado espiritual de Cristo, que se estendia desde Sua ascensão até o Seu retorno final. Para os católicos, a Igreja era vista como o principal meio através do qual o Reino de Deus se manifestava na Terra.
2Rejeição ao Futurismo Literal: A Igreja Católica não adotava uma visão futurista de profecias, como a de um evento final literal de tribulação, uma segunda vinda de Cristo com uma luta física contra o Anticristo, ou a ideia de um milênio literal. A escatologia medieval era amplamente preocupada com a salvação individual, a luta contra o pecado, e a esperança da vida eterna no céu, mais do que com eventos catastróficos futuros.
A Reforma Protestante e as Mudanças:
Com o surgimento da Reforma Protestante no século XVI, as tensões aumentaram entre a Igreja Católica e os protestantes, com críticas às práticas da Igreja, incluindo sua interpretação das Escrituras. Uma das áreas de forte divergência foi a escatologia, onde os reformadores começaram a introduzir suas próprias visões, incluindo interpretações futuristas e outros pontos divergentes.
A resposta católica a essas mudanças, em parte, foi uma reconsideração da escatologia bíblica, como se observa na obra de Luís de Alcasar e outros teólogos que passaram a sistematizar uma nova forma de interpretar as profecias — o Preterismo, que considerava que muitas das profecias, como as de Apocalipse, já haviam sido cumpridas no passado, particularmente na destruição de Jerusalém em 70 d.C. Essa nova abordagem era, em certa medida, uma resposta às críticas protestantes e visava reinterpretar as Escrituras de maneira a enfraquecer a acusação de que a Igreja Católica representaria a "Besta" ou outros símbolos negativos.
Em resumo, antes da Reforma Protestante, a Igreja Católica predominava com uma escatologia amilenista, onde as profecias bíblicas eram interpretadas de forma simbólica e espiritual. A Reforma Protestante, com suas novas interpretações, desafiou essa visão, o que levou a Igreja Católica a revisitar e até reconfigurar sua abordagem escatológica, dando origem a novas visões como o Preterismo.
Antes do período medieval e da Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana tinha uma compreensão muito mais simples e espiritualizada sobre a vinda de Cristo e o arrebatamento, influenciada pela teologia dos primeiros séculos do cristianismo, que estava em grande parte voltada para o espiritual e o alegórico, em vez de uma interpretação literal dos eventos escatológicos. A visão sobre esses temas também estava imersa em uma compreensão mais mística e sacramental da salvação, do que em discussões detalhadas sobre os eventos finais dos tempos.
A Vinda de Cristo
A doutrina da vinda de Cristo na Igreja Católica antes do período medieval era, essencialmente, uma visão futurista e espiritual, baseada em um evento final de juízo e redenção para o mundo.
Aspectos centrais da vinda de Cristo antes da Idade Média:
Segunda Vinda de Cristo: A Igreja Católica acreditava que Cristo retornaria no final dos tempos para julgamento universal, conforme as Escrituras, especialmente em passagens como Mateus 24:30 e Apocalipse 22:12. Esse retorno seria visível e glorioso, e seu objetivo seria estabelecer definitivamente o Reino de Deus e restaurar todas as coisas. Cristo voltaria para julgar vivos e mortos, recompensando os justos e punindo os ímpios.
Juízo Final: A ênfase era colocada no juízo final, onde todos seriam ressuscitados, o bem e o mal separados, e o destino eterno de cada alma seria determinado. Esse juízo seria universal, afetando todos os seres humanos, e representaria o fim da história humana tal como a conhecemos.
Reinado de Cristo: Durante os primeiros séculos da Igreja, havia uma tendência para entender o reinado de Cristo como espiritual e já presente. Os primeiros cristãos acreditavam que Cristo reinava no coração dos crentes e na Igreja, sendo o Reino de Deus já inaugurado, mas ainda a ser consumado na segunda vinda.
Visão não literal do milênio: No que diz respeito à interpretação do milênio (Apocalipse 20), não havia uma ênfase na compreensão literal de um reino terreno de mil anos. A maioria dos teólogos dos primeiros séculos interpretava o milênio como uma representação simbólica da era da Igreja e da vitória espiritual de Cristo sobre o mal. Isso corresponde à visão amilenista que se tornou dominante na Igreja Católica durante os primeiros tempos. O milênio era visto como o período simbólico da presença de Cristo, já iniciado com sua ascensão, e que culminaria no retorno final.
O Arrebatamento
A doutrina do arrebatamento, como entendida nas correntes evangélicas modernas, não fazia parte da teologia católica medieval e pré-medieval. Na verdade, a noção de um arrebatamento secreto ou repentino, em que os crentes seriam levados para o céu enquanto o resto da humanidade ficaria para enfrentar a tribulação, não existia na Igreja Católica.
Visão católica sobre a vinda de Cristo e o arrebatamento:
Transformação e Ressurreição: A Igreja Católica sempre ensinou que, no retorno de Cristo, todos os mortos seriam ressuscitados para enfrentar o juízo final, e aqueles que estivessem vivos seriam transformados e levados para a presença de Deus. Isso não envolvia a ideia de um arrebatamento secreto, mas uma transformação pública e visível de todos os crentes. Em 1 Coríntios 15:51-52, Paulo fala da "transformação" que ocorrerá, mas isso é entendido como um evento público, relacionado à ressurreição dos mortos e à transformação dos vivos no contexto do juízo final.
Ressurreição geral e juízo final: A Igreja Católica sempre enfatizou a ressurreição geral como parte do evento final, no qual os mortos seriam ressuscitados fisicamente e todos seriam julgados. Não havia a ideia de um arrebatamento antecipado para os crentes, sem o acompanhamento do juízo final.
O Reino de Deus e a Ascensão de Cristo: O entendimento tradicional da vinda de Cristo era que Ele retornaria de maneira visível e definitiva para trazer a consumação do Reino de Deus. A ascensão de Cristo foi vista como um evento que inaugurou o Reino espiritual de Cristo, e a segunda vinda seria o momento da plenitude desse Reino, quando todos seriam ressuscitados e julgados. A compreensão do arrebatamento como um evento separado da segunda vinda, como ensinado em algumas vertentes protestantes contemporâneas, não fazia parte da teologia medieval católica.
A Escatologia Católica Pré-Medieval:
Em resumo, a Igreja Católica pré-medieval via a vinda de Cristo como um evento futuro e universal, associado ao juízo final. A escatologia católica era amilenista, sem ênfase em um milênio literal, e sem a doutrina do arrebatamento como é conhecida nos tempos modernos. A segunda vinda de Cristo seria visível, gloriosa e acompanhada pela ressurreição dos mortos, e não haveria uma separação entre os crentes e os descrentes antes do juízo final.
Na teologia católica medieval e nos primeiros séculos da Igreja, a escatologia estava centrada em Cristo como o Juiz final, e a ênfase estava na salvação por meio da fé e da prática sacramental, particularmente por meio dos sacramentos da Igreja, como o batismo, a eucaristia e a penitência, para preparar os crentes para o retorno de Cristo e o juízo final.
Conclusão
A Igreja Católica antes da Idade Média tinha uma visão da vinda de Cristo como um evento público e definitivo, com foco no juízo final e na ressurreição dos mortos. Não existia a doutrina de um arrebatamento secreto, como a entendem algumas tradições protestantes modernas. A escatologia católica desse período estava mais relacionada com uma visão amilenista do Reino de Deus, onde a presença de Cristo já estava sendo vivida espiritualmente na Igreja, aguardando a consumação final no retorno de Cristo.
Antes da Reforma Protestante e dos conflitos escatológicos da Idade Média, a Igreja Católica Romana entendia os eventos escatológicos de maneira simbólica e espiritualizada, com pouca ênfase em interpretações literais ou cronológicas dos textos bíblicos. Sua visão estava mais centrada no juízo final e na redenção espiritual, e os eventos escatológicos eram frequentemente interpretados como representações espirituais ou alegóricas. A seguir, uma cronologia básica dos principais eventos escatológicos conforme a visão da Igreja Católica antes da Reforma:
A Vinda de Cristo
O que era entendido: A segunda vinda de Cristo era vista como um evento futuro, visível e glorioso, onde Cristo retornaria para estabelecer o juízo final e consumar o Reino de Deus. A Igreja Católica não ensinava sobre a ideia de um "arrebatamento" prévio ou oculto; Cristo voltaria de forma pública e definitiva para todos verem.
Simbólico ou literal: A vinda de Cristo era entendida literalmente como um evento futuro, mas com uma ênfase no aspecto espiritual e no juízo final. Sua vinda traria a restituição e a renovação da criação.
A Ressurreição dos Mortos
O que era entendido: A Igreja Católica acreditava que, no fim dos tempos, todos os mortos seriam ressuscitados fisicamente. A ressurreição seria universal, abrangendo justos e ímpios, com a ressurreição para a vida eterna ou para o juízo.
Simbólico ou literal: A ressurreição dos mortos era entendida literalmente, com todos os corpos dos falecidos sendo restaurados à vida, mas sempre dentro de um contexto espiritual de juízo e redenção.
O Arrebatamento
O que era entendido: Não havia uma doutrina clara do arrebatamento como é conhecido em algumas correntes evangélicas modernas (isto é, um evento separado e secreto). A Igreja Católica via a segunda vinda de Cristo como o evento que envolveria tanto os mortos como os vivos, sendo esse o momento de transformação e julgamento de todos.
Simbólico ou literal: A ideia do arrebatamento não existia em termos literais, e qualquer transformação espiritual ou física dos vivos e mortos aconteceria no contexto do juízo final, durante a vinda de Cristo.
O Tribunal de Cristo (Juízo Final)
O que era entendido: No momento da segunda vinda, todos seriam chamados a comparecer ao tribunal de Cristo, onde os justos seriam recompensados com a vida eterna e os ímpios seriam punidos com a condenação eterna. Esse juízo não era visto como um processo separado, mas como parte integrante do retorno de Cristo.
Simbólico ou literal: O juízo final era entendido literalmente como um evento futuro onde as ações de todos seriam avaliadas. No entanto, a ênfase estava na salvação espiritual e não em detalhes literais do julgamento.
As Bodas do Cordeiro
O que era entendido: As Bodas do Cordeiro eram frequentemente interpretadas como uma imagem simbólica da união espiritual entre Cristo e a Igreja. Esse evento não era considerado um acontecimento literal que aconteceria no final dos tempos, mas uma metáfora para a união de Cristo com a Igreja, simbolizada pela Eucaristia.
Simbólico ou literal: A interpretação das Bodas do Cordeiro era simbólica, representando a relação íntima entre Cristo e a Igreja, e sua realização plena ocorreria no fim dos tempos, na consumação do Reino de Deus.
O Reino Milenar
O que era entendido: A Igreja Católica medieval não dava ênfase ao milênio literal de Apocalipse 20, mas entendia o Reino de Deus como uma realidade espiritual já inaugurada na ascensão de Cristo e sendo vivida na Igreja. O milênio era, portanto, interpretado de maneira espiritual e não literal, simbolizando a vitória de Cristo sobre o mal e o reinado do Messias no coração dos crentes.
Simbólico ou literal: A Igreja Católica não ensinava um milênio literal de 1.000 anos. A vitória de Cristo era vista como uma realidade espiritual que se manifestava na Igreja, com Cristo reinando espiritualmente.
Juízo Final e Separação dos Justos e Ímpios
O que era entendido: O juízo final seria o momento no qual Cristo separaria os justos dos ímpios, recompensando os fiéis com a vida eterna e condenando os ímpios ao sofrimento eterno. Este evento seria um juízo universal e final para toda a humanidade, com o destino eterno de todos os seres humanos sendo selado.
Simbólico ou literal: O juízo final era entendido literalmente, como um evento futuro em que todos os seres humanos seriam avaliados de acordo com suas obras e fé. A ênfase estava no aspecto moral e espiritual do julgamento.
Novo Céu e Nova Terra
O que era entendido: A Igreja Católica ensinava que, após o juízo final, Deus criaria um novo céu e uma nova terra, onde a humanidade redimida viveria eternamente na presença de Deus, sem dor ou sofrimento. Isso era visto como a consumação da salvação e o estabelecimento definitivo do Reino de Deus.
Simbólico ou literal: O novo céu e a nova terra eram entendidos literalmente, mas com uma ênfase simbólica no restabelecimento da perfeição e da harmonia universal. A ideia era de uma renovação cósmica e espiritual, onde a criação de Deus seria completamente restaurada.
Cronologia Básica da Escatologia Pré-Reforma:
1) Segunda Vinda de Cristo (literal): Evento futuro visível e glorioso de julgamento.
2) Ressurreição dos Mortos (literal): Todos ressuscitam para juízo e salvação ou condenação.
3) Tribunal de Cristo (Juízo Final) (literal): Juízo universal e final sobre justos e ímpios.
4) Bodas do Cordeiro (simbólico): União espiritual de Cristo e a Igreja, representada na Eucaristia.
5) Reino de Deus (milênio simbólico): Vitória espiritual de Cristo, vivida na Igreja.
6) Novo Céu e Nova Terra (literal): Renovação cósmica e espiritual após o juízo final, trazendo a perfeição eterna.
De modo que
A escatologia da Igreja Católica antes da Reforma era marcada por uma visão espiritualizada e simbólica, com uma ênfase na segunda vinda de Cristo, juízo final, e na redenção espiritual da humanidade, sem a ênfase em milênios literais ou arrebatamentos secretos. As doutrinas eram mais centradas em uma interpretação moral e espiritual, com o foco na vitória final de Cristo e na renovação do universo, em vez de uma cronologia exata dos eventos escatológicos.
As disputas escatológicas, especialmente as relacionadas com a interpretação das profecias apocalípticas de Cristo, desempenharam um papel central nas controvérsias religiosas desse período. O crescente interesse pelas profecias bíblicas e sua relação com os eventos contemporâneos, como as guerras, a ascensão do império otomano e a Reforma Protestante, gerou um ambiente propício para o desenvolvimento de novas interpretações escatológicas. Nesse contexto, o Preterismo começou a emergir como uma resposta teológica à crise religiosa, oferecendo uma explicação de que as profecias do Apocalipse e de outros livros proféticos já haviam se cumprido no passado.
Luís de Alcasar e o Desenvolvimento do Preterismo
A figura central no desenvolvimento do Preterismo é Luís de Alcasar (1554-1613), um teólogo jesuíta espanhol. Alcasar é amplamente reconhecido por ter sistematizado a interpretação preterista das profecias bíblicas, em particular aquelas contidas no livro de Apocalipse. Sua obra mais notável, Vestigatio arcani sensus in Apocalypsi (1604), defendia que as profecias do Apocalipse se referiam, na verdade, a eventos do passado, particularmente à queda de Jerusalém em 70 d.C., e não a acontecimentos futuros, como muitos acreditavam na época.
Alcasar escreveu sua obra como uma tentativa de contrapor as interpretações protestantes, que viam no Apocalipse uma previsão de eventos futuros, especialmente a vinda de Cristo e o fim do mundo. Ele argumentou que as visões apocalípticas de João eram simbólicas e se referiam ao que já havia acontecido na história, particularmente ao conflito entre os judeus e os romanos, culminando na destruição de Jerusalém. A proposta de Alcasar foi, portanto, uma maneira de reconciliação das Escrituras com a realidade histórica, afastando-se da interpretação literal e futurista popular entre os reformadores.
Ao contrário dos protestantes, que viam na Igreja Católica a “Besta” descrita em Apocalipse, Alcasar procurou defender a Igreja, posicionando-a como a verdadeira Igreja de Cristo e evitando que a crítica protestante a associase à figura do Anticristo. Seu trabalho teve uma importância crucial na definição do Preterismo, ao introduzir uma visão de cumprimento das profecias bíblicas na história passada, em vez de vê-las como promessas a serem cumpridas em um futuro distante.
A Resposta da Igreja Católica às Acusações Protestantes
O Preterismo, especialmente na forma proposta por Alcasar, surgiu em grande parte como uma resposta teológica às acusações feitas pelos protestantes, que acusavam a Igreja Católica de corrupção e heresia. No século XVI, os protestantes frequentemente usavam as profecias bíblicas, particularmente as do Apocalipse, para criticar a Igreja, associando-a à figura da “Besta” e do Anticristo. Ao fazer isso, eles argumentavam que a Igreja Católica estava no centro de uma grande apostasia, representando o cumprimento das profecias negativas descritas por João.
Em resposta a essas críticas, a Igreja Católica precisou reagir de maneira teológica. O Preterismo ofereceu uma alternativa à interpretação futurista defendida pelos protestantes, procurando reinterpretar as profecias de maneira que as conectassem com os eventos históricos passados e não com o futuro. Ao fazer isso, a Igreja buscava minimizar as acusações de corrupção e heresia, defendendo-se contra a ideia de que a Igreja Católica representava a personificação do mal descrito no Apocalipse. Além disso, essa reinterpretação das profecias ajudava a preservar a unidade da Igreja, colocando-a em uma posição de continuidade com os acontecimentos da história bíblica e resistindo à ideia de uma ruptura com o passado cristão.
O Papel do Preterismo na Contra-Reforma
O Preterismo teve um papel significativo na Contra-Reforma, o movimento interno da Igreja Católica que visava combater o avanço do protestantismo e reafirmar a autoridade papal. A Contra-Reforma foi, em grande parte, uma reação aos desafios teológicos, políticos e sociais que surgiram com a Reforma Protestante. Durante este período, a Igreja Católica buscou respostas para as questões levantadas pelos protestantes e trabalhou para reforçar sua posição teológica e institucional.
O Preterismo, ao reinterpretar as profecias do Apocalipse como cumpridas no passado, ajudou a Igreja Católica a afastar as acusações de que ela estava relacionada ao Anticristo, uma acusação comum entre os protestantes. Dessa forma, a visão preterista de Alcasar contribuiu para fortalecer a posição da Igreja Católica ao apresentar uma defesa teológica que não apenas desafiava as interpretações protestantes, mas também promovia a unidade da Igreja, evitando que ela fosse associada a uma interpretação negativa das Escrituras. Além disso, ao sugerir que as profecias já haviam se cumprido, o Preterismo ajudava a Igreja a evitar a pressão por mudanças imediatas ou apocalípticas, favorecendo uma abordagem mais tranquila e continuista da história.
Em resumo, o Preterismo desempenhou um papel crucial na Contra-Reforma, sendo uma das várias respostas teológicas desenvolvidas pela Igreja Católica para lidar com os desafios apresentados pela Reforma Protestante. A obra de Alcasar, em particular, teve um impacto duradouro na maneira como a Igreja Católica lidou com as questões escatológicas, ajudando a reconfigurar a interpretação das profecias bíblicas dentro do contexto da história da Igreja e do mundo.
O capítulo dois, portanto, analisou a origem do Preterismo no contexto do século XVI, seu desenvolvimento através da obra de Luís de Alcasar, a resposta da Igreja Católica às críticas protestantes e a função do Preterismo dentro do movimento da Contra-Reforma. A compreensão desses aspectos históricos e teológicos é fundamental para entender o papel do Preterismo na evolução das doutrinas escatológicas e sua influência nas discussões religiosas da época.
VAMOS PARA O CAPÍTULO TRÊS
3. O DESENVOLVIMENTO DA ESCATOLOGIA CONSUMADA
A escatologia consumada, conhecida também como preterismo extremo, representa uma abordagem teológica que interpreta muitas das profecias bíblicas, especialmente aquelas encontradas no livro de Apocalipse e nos discursos escatológicos de Jesus, como já tendo se cumprido no passado, particularmente no primeiro século da era cristã. Em contraste com outras abordagens escatológicas, como o futurismo e o idealismo, o preterismo extremo adota a visão de que muitos dos eventos apocalípticos descritos nas Escrituras ocorreram no contexto histórico imediato da Igreja primitiva, especialmente nas décadas após a morte de Cristo e a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Este capítulo explora a definição e as características do preterismo extremo, sua evolução ao longo dos séculos XIX e XX, seus principais teólogos e proponentes, com ênfase especial em Max R. King, que sistematizou e popularizou essa visão dentro da teologia contemporânea.
Definição e Características do Preterismo Extremo
O preterismo extremo (ou preterismo consumado) é uma corrente escatológica que sustenta que todas, ou quase todas, as profecias escatológicas do Novo Testamento, incluindo o Apocalipse, os discursos de Jesus sobre o fim dos tempos, e passagens como Mateus 24, Lucas 21 e Apocalipse 1:1-3, já se cumpriram no primeiro século, particularmente com a destruição de Jerusalém em 70 d.C., durante a guerra judaico-romana. Essa visão contrasta com outras interpretações mais comuns da escatologia cristã, como o futurismo, que espera que muitas dessas profecias se cumpram em um futuro distante, e o idealismo, que as interpreta de forma simbólica ou espiritual.
A característica central do preterismo extremo é a negação de um milênio literal ou de um reino terrestre de Cristo que aconteceria após o seu retorno. Em vez disso, os preteristas extremos acreditam que o reino de Deus já foi estabelecido na ascensão de Cristo e foi consumado no evento da destruição de Jerusalém e no julgamento do povo judeu que rejeitou a mensagem do Messias. Para eles, a segunda vinda de Cristo e o juízo final não são eventos futuros, mas já ocorreram no primeiro século, quando Deus fez justiça sobre a nação de Israel.
Além disso, o preterismo extremo rejeita a ideia de que a ressurreição dos mortos seja algo futuro e literal, afirmando que essa ressurreição se refere a um evento espiritual, representando a transição do antigo para o novo pacto, e que a nova Jerusalém e o novo céu e nova terra são realidades espirituais que começaram no período pós-pentecostal, especialmente após a destruição de Jerusalém.
A Evolução da Teoria no Século XIX e XX
O preterismo, como uma interpretação escatológica, tem raízes no cristianismo primitivo, mas sua sistematização e desenvolvimento como uma teoria distinta ocorreu de forma mais pronunciada nos séculos XIX e XX. Durante o século XIX, várias correntes teológicas começaram a desafiar as interpretações tradicionais da escatologia cristã, como as visões futuristas prevalentes nas tradições protestantes.
A ascensão do preterismo no século XIX pode ser atribuída a um crescente interesse por interpretações históricas e contextuais das Escrituras. Vários teólogos protestantes e católicos começaram a argumentar que muitas das profecias de Cristo e dos apóstolos não se referiam a eventos distantes, mas sim ao primeiro século, particularmente ao cerco de Jerusalém e à destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos. Essa ideia foi inicialmente desenvolvida por estudiosos católicos como Luis de Alcasar, que propôs uma interpretação preterista moderada de Apocalipse, mas foi posteriormente ampliada para o preterismo extremo.
No entanto, foi somente no século XX, com o surgimento de novas escolas de pensamento teológico e uma maior ênfase na leitura histórica das Escrituras, que o preterismo extremo encontrou seu maior impulso. O crescimento do movimento dispensacionalista e a popularização de visões futuristas nas igrejas protestantes, particularmente com a publicação de obras como as de John Nelson Darby, levou alguns teólogos a reagirem com propostas mais focadas no passado, em vez de no futuro. Nesse contexto, o preterismo extremo ganhou destaque como uma alternativa às visões futuristas, defendendo a ideia de que o cumprimento das profecias escatológicas já havia ocorrido no primeiro século.
Principais Teólogos e Proponentes do Preterismo Extremo
Ao longo do século XIX e XX, diversos teólogos contribuíram para o desenvolvimento do preterismo extremo, promovendo essa abordagem em meio ao crescente debate escatológico. Alguns dos principais proponentes do preterismo extremo incluem:
Max R. King: Considerado uma das figuras centrais no movimento preterista extremo contemporâneo, King foi fundamental para a sistematização e popularização dessa visão no século XX. Seu trabalho influenciou muitos estudiosos e pastores a adotar uma leitura preterista radical das Escrituras. King argumentou que a segunda vinda de Cristo, o juízo final e a ressurreição de que falam as Escrituras se cumpriram no primeiro século, particularmente no contexto da destruição de Jerusalém.
William H. Bell: Outro teólogo importante para o desenvolvimento do preterismo extremo, Bell também enfatizou a ideia de que a vinda de Cristo e o juízo final já ocorreram no primeiro século, e suas obras ajudaram a popularizar a visão preterista dentro de certos círculos evangélicos e reformatos.
R.C. Sproul: Embora não tenha sido um proponente total do preterismo extremo, Sproul, um teólogo conhecido do movimento reformado, ajudou a popularizar o conceito de preterismo moderado e contribuiu para o debate teológico que levou ao desenvolvimento do preterismo extremo como uma alternativa viável à escatologia futurista.
Max R. King e a Sistematização do Preterismo Consumado
Max R. King foi uma figura chave no movimento preterista extremo, sendo um dos principais teólogos responsáveis pela sistematização dessa interpretação escatológica. Sua obra “The Spirit of Prophecy”, publicada em 1971, é frequentemente considerada um marco na história do preterismo extremo, fornecendo uma estrutura teológica clara para essa abordagem. King argumentou que, no contexto da destruição de Jerusalém em 70 d.C., Cristo cumpriu suas promessas de segundo advento, juízo final, ressurreição e novo céu e nova terra. Para King, essas eram realidades que já haviam sido consumadas na história, e qualquer expectativa de cumprimento futuro dessas promessas era desnecessária e errônea.
A influência de King no movimento preterista extremo é inegável, uma vez que ele foi responsável por criar um sistema teológico coerente que unia diferentes aspectos da escatologia cristã sob uma visão preterista radical. Sua ênfase na realização já ocorrida das profecias levou a um novo entendimento da relação entre as promessas bíblicas e a história, marcando uma ruptura com as visões tradicionais futuristas, que ainda são dominantes em muitas igrejas evangélicas e protestantes.
A escatologia consumada de King e outros preteristas extremos desafia as abordagens tradicionais da escatologia cristã, promovendo uma visão que vê a realização das promessas escatológicas como algo que já aconteceu, em vez de algo que ainda está por vir. A importância de King reside, portanto, não apenas na ampliação dessa visão, mas também na sua sistematização teológica, que permite aos estudiosos e praticantes entenderem como a história do primeiro século se encaixa nas profecias bíblicas, fornecendo uma interpretação radicalmente diferente daquela apresentada pelas tradições escatológicas dominantes.
Conclusão
A escatologia consumada, ou preterismo extremo, representa uma reinterpretação radical da escatologia cristã, que sustenta que os eventos apocalípticos descritos no Novo Testamento já ocorreram no primeiro século. Essa visão, que se desenvolveu ao longo dos séculos XIX e XX, encontrou na obra de teólogos como Max R. King uma expressão sistematizada e abrangente. O preterismo extremo desafia as perspectivas futuristas dominantes e propõe uma nova compreensão do cumprimento das promessas escatológicas, considerando-as realizadas com a destruição de Jerusalém e o juízo sobre o povo judeu.
VAMOS PARA O CAPÍTULO QUATRO
4. O CONTEXTO HISTÓRICO DO PRETERISMO
O preterismo é uma abordagem hermenêutica que interpreta grande parte das profecias bíblicas, particularmente as do livro de Apocalipse, como tendo sido cumpridas no passado, principalmente no primeiro século d.C. Para compreender o desenvolvimento dessa perspectiva, é necessário situá-la dentro de seu contexto histórico e teológico, especialmente em relação aos debates escatológicos que emergiram durante e após a Reforma Protestante.
O Impacto da Reforma Protestante nas Interpretações Escatológicas
A Reforma Protestante (século XVI) inaugurou uma nova era de questionamento teológico, particularmente no que dizia respeito à interpretação das Escrituras. Reformadores como Martinho Lutero, João Calvino e Ulrico Zuínglio promoveram o princípio da sola scriptura, desafiando as interpretações tradicionais da Igreja Católica. No campo da escatologia, os reformadores adotaram amplamente a visão historicista, que interpreta as profecias apocalípticas como sendo cumpridas ao longo da história da Igreja, frequentemente identificando a Igreja Católica Romana, em especial o papado, com as figuras apocalípticas do Anticristo e da Grande Meretriz (Apocalipse 17).
A ênfase dos reformadores na identificação do papado como o principal antagonista escatológico reforçou o uso de uma abordagem historicista para legitimar sua oposição teológica e política à Igreja Católica. Esse contexto tornou o preterismo, com sua ênfase em um cumprimento passado das profecias, menos atrativo, já que ele deslocava o foco dos eventos apocalípticos do papado para o primeiro século.
O Papel de Alcasar e a Apologia Católica
O preterismo começou a se estabelecer como uma alternativa escatológica no contexto da Contrarreforma, em resposta aos ataques teológicos protestantes contra a Igreja Católica. Luis de Alcasar (1554–1613), um jesuíta espanhol, desempenhou um papel central na formulação e promoção do preterismo. Em sua obra Vestigatio Arcani Sensus in Apocalypsi (1614), Alcasar propôs que o Apocalipse deveria ser interpretado como uma descrição dos eventos ocorridos no primeiro século, particularmente relacionados à queda de Jerusalém em 70 d.C. e à perseguição romana contra os cristãos.
O objetivo apologético de Alcasar era evidente: deslocar as acusações escatológicas dos reformadores contra o papado, redirecionando as profecias apocalípticas para o contexto histórico da Igreja primitiva. Essa abordagem ajudava a neutralizar a identificação do papado como o Anticristo e a reafirmar a legitimidade da Igreja Católica como a verdadeira Igreja de Cristo.
A Rejeição do Preterismo pelos Reformadores
Os reformadores, comprometidos com a visão historicista, rejeitaram amplamente o preterismo, considerando-o uma estratégia teológica da Contrarreforma para desviar as críticas escatológicas dirigidas ao papado. Além disso, o preterismo era visto como incompatível com a narrativa protestante de que a história da Igreja estava marcada por um conflito contínuo entre o verdadeiro evangelho e o falso sistema religioso representado pelo catolicismo romano.
A rejeição do preterismo também refletia o contexto político-religioso da época, no qual as interpretações escatológicas desempenhavam um papel importante na formação da identidade protestante e na mobilização contra a hegemonia católica. O preterismo, ao enfocar o passado, não oferecia a mesma utilidade apologética que a visão historicista, que interpretava os eventos apocalípticos como ainda relevantes para a luta contemporânea contra o catolicismo.
A Influência do Preterismo Moderado na Controvérsia Escatológica
Embora rejeitado pelos reformadores, o preterismo encontrou alguma aceitação em círculos teológicos posteriores, particularmente na forma de um "preterismo moderado". Essa abordagem sustenta que algumas profecias foram cumpridas no passado, mas reconhece um cumprimento futuro de outras, particularmente as relacionadas ao retorno de Cristo e ao julgamento final.
No século XIX, o preterismo moderado começou a influenciar debates escatológicos mais amplos, especialmente entre teólogos que buscavam um meio-termo entre as visões historicista e futurista. Essa abordagem enfatizava a relevância histórica do cumprimento das profecias enquanto mantinha a esperança escatológica de eventos futuros. Por meio dessa síntese, o preterismo moderado contribuiu para o desenvolvimento de uma compreensão mais ampla e diversificada das profecias bíblicas.
Conclusão
O preterismo surgiu em um contexto de intensa controvérsia teológica e política, moldado pelos debates entre reformadores protestantes e teólogos católicos da Contrarreforma. Enquanto os reformadores rejeitaram o preterismo como uma apologia católica, ele encontrou um espaço limitado de aceitação na forma moderada, influenciando debates escatológicos posteriores. Seu desenvolvimento histórico ilustra a complexidade das interpretações escatológicas e os fatores teológicos, políticos e culturais que moldam sua adoção e rejeição.
VAMOS PARA O CAPÍTULO CINCOL
5. A TEOLOGIA DO PRETERISMO EXTREMO (CONSUMADO)
O preterismo extremo, também conhecido como preterismo consumado, é uma abordagem hermenêutica que entende todas as profecias bíblicas, incluindo as referentes à segunda vinda de Cristo, ao juízo final, à ressurreição dos mortos e à criação do novo céu e nova terra, como já cumpridas no primeiro século d.C., especialmente no evento da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Essa interpretação radical contrasta com outras abordagens escatológicas e gera intensos debates teológicos devido às implicações significativas de suas conclusões.
A Interpretação das Profecias Bíblicas no Preterismo Consumado
O preterismo consumado propõe uma leitura bíblica que enxerga as profecias como intrinsecamente ligadas ao contexto histórico do primeiro século, com ênfase na relação entre Deus, Israel e a Igreja. Para os adeptos dessa visão, os textos proféticos devem ser interpretados predominantemente em termos figurativos e contextuais.
Textos como Mateus 24, Apocalipse e partes de Daniel são vistos como cumpridos no cerco e destruição de Jerusalém pelas legiões romanas sob Tito em 70 d.C. Segundo essa perspectiva, essa destruição representa o clímax do juízo divino sobre Israel por rejeitar o Messias e o término da antiga aliança, sendo substituída pela nova aliança inaugurada em Cristo.
A linguagem apocalíptica e os sinais cósmicos frequentemente associados à segunda vinda de Cristo são entendidos de forma simbólica, referindo-se a transformações espirituais e ao julgamento histórico de Israel, em vez de eventos literais e universais.
A Segunda Vinda de Cristo e o Juízo Final
No preterismo consumado, a segunda vinda de Cristo (parousia) não é interpretada como um evento futuro e físico, mas como uma manifestação espiritual ocorrida no primeiro século. Essa manifestação estaria associada ao julgamento de Israel em 70 d.C. e à inauguração plena do reino de Deus na terra.
Os adeptos dessa visão entendem que as descrições bíblicas sobre Cristo vindo "nas nuvens" (Mateus 24:30) devem ser lidas à luz da linguagem profética do Antigo Testamento, onde "vir nas nuvens" simboliza juízo divino contra nações. Assim, a segunda vinda é interpretada como o ato de Cristo vindicando sua soberania e estabelecendo plenamente sua Igreja como o novo povo de Deus.
O juízo final, por sua vez, é visto como um julgamento coletivo sobre Israel e as nações, ocorrendo em 70 d.C., marcando a transição entre as alianças e o fim da era do Antigo Testamento. Essa interpretação elimina a expectativa de um julgamento universal e futuro, substituindo-o por uma aplicação espiritual e histórica.
A Ressurreição dos Mortos e o Novo Céu e Nova Terra
Outro aspecto central do preterismo consumado é sua interpretação da ressurreição dos mortos. Para os proponentes dessa visão, a ressurreição descrita em 1 Coríntios 15 e 1 Tessalonicenses 4:16-17 não é um evento físico e futuro, mas um evento espiritual que ocorreu no primeiro século. Essa ressurreição seria a transição dos santos do Antigo Testamento, libertos do Hades, para a plenitude da vida em Cristo.
A ressurreição é compreendida em termos coletivos e espirituais, marcando a realização da promessa de vida eterna para os que estavam em aliança com Deus. O foco se desloca da expectativa de uma ressurreição corporal para um entendimento simbólico e espiritual do evento.
Quanto ao novo céu e nova terra (Apocalipse 21), os preteristas consumados veem essa profecia como uma metáfora para a nova ordem estabelecida pela nova aliança em Cristo. A Igreja seria o cumprimento dessa nova criação, com a presença de Deus habitando com seu povo de maneira plena. A renovação não é vista como uma transformação física do cosmos, mas como a redenção espiritual e relacional entre Deus e a humanidade.
A Visão de 70 d.C. como Cumprimento Final das Profecias
A destruição de Jerusalém em 70 d.C. é o evento central da teologia do preterismo consumado. Para seus adeptos, esse acontecimento representa o encerramento definitivo da era mosaica e o cumprimento de todas as profecias bíblicas, incluindo a segunda vinda de Cristo, o juízo final e a consumação do reino de Deus.
Eles argumentam que a destruição do templo simboliza o fim do sistema sacrificial e a completa substituição da antiga aliança pela nova aliança em Cristo. O cerco de Jerusalém é interpretado como o ato final de julgamento divino sobre Israel, marcando a transição para o reino eterno de Deus manifestado na Igreja.
Críticas e Implicações Teológicas
O preterismo consumado enfrenta críticas significativas por parte de teólogos e denominações cristãs tradicionais. Entre as objeções mais comuns estão:
A rejeição do cumprimento literal e futuro das promessas bíblicas, como a ressurreição corporal e a criação do novo céu e nova terra.
A descaracterização da segunda vinda de Cristo, reinterpretando-a como um evento espiritual e histórico, em vez de físico e universal.
A negação de um julgamento universal futuro, o que conflita com a interpretação tradicional de passagens como Apocalipse 20:11-15.
As implicações dessa abordagem são profundas, pois redefinem a esperança escatológica cristã, substituindo uma expectativa futura por uma realização espiritual já consumada. Isso leva a debates acirrados sobre a ortodoxia e a validade teológica dessa perspectiva.
Conclusão
O preterismo consumado oferece uma interpretação radical das profecias bíblicas, vendo seu cumprimento pleno em 70 d.C. Apesar de suas conclusões inovadoras, a visão enfrenta desafios teológicos significativos devido ao seu afastamento das interpretações tradicionais. O debate em torno dessa abordagem continua a moldar a escatologia cristã contemporânea, destacando a importância da hermenêutica no entendimento das Escrituras.
VAMOS PARA O CAPÍTULO SEIS
6. PRINCIPAIS PASSAGENS BÍBLICAS INTERPRETADAS PELO PRETERISMO EXTREMO
O preterismo extremo, ou consumado, fundamenta sua interpretação nas Escrituras, propondo que todas as profecias bíblicas, incluindo a segunda vinda de Cristo, o juízo final e a ressurreição dos mortos, foram cumpridas no primeiro século d.C. A seguir, serão analisadas as principais passagens utilizadas para sustentar essa visão, com foco em como o preterismo extremo interpreta seus conteúdos à luz da destruição de Jerusalém em 70 d.C.
Mateus 24:34 – "Esta Geração"
"Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas aconteçam."
Para os preteristas extremos, Mateus 24:34 é uma das passagens mais importantes para sustentar sua tese. Eles argumentam que Jesus afirmou claramente que os eventos descritos em Mateus 24—incluindo guerras, perseguições, sinais cósmicos e a vinda do Filho do Homem—ocorreriam dentro da geração que o ouvia.
A interpretação preterista extrema enfatiza que o termo "esta geração" deve ser entendido de forma literal, referindo-se aos contemporâneos de Jesus. Assim, os eventos descritos não se aplicam a um futuro distante, mas à destruição de Jerusalém em 70 d.C., que, segundo essa visão, marca o cumprimento das profecias apocalípticas.
Essa leitura rejeita interpretações futuristas que alegam que "esta geração" pode significar uma geração futura ou simbólica, afirmando que isso compromete a clareza e a fidelidade do texto bíblico.
Lucas 21:22 – O Cumprimento das Profecias
"Porque estes dias são de vingança, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas."
No Evangelho de Lucas, Jesus descreve a destruição iminente de Jerusalém como dias de vingança divina, durante os quais todas as coisas escritas nas Escrituras seriam cumpridas. Para o preterismo extremo, esta passagem é crucial, pois sugere que as profecias messiânicas e escatológicas foram plenamente realizadas na queda de Jerusalém.
Eles entendem que Lucas 21:22 confirma que o juízo sobre Israel em 70 d.C. foi o clímax da história redentora e o cumprimento integral das promessas e advertências da Lei e dos Profetas. Assim, os preteristas extremos concluem que não há necessidade de esperar o cumprimento futuro de qualquer profecia escatológica.
Apocalipse 1:1 e 22:10 – "Em Breve" e "As Coisas Que Devem Acontecer"
Apocalipse 1:1: "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer."
Apocalipse 22:10: "Não sele as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo."
Os preteristas extremos interpretam as expressões "em breve" (tachos, no grego) e "o tempo está próximo" como evidências diretas de que as profecias do Apocalipse não se referem a eventos distantes, mas a acontecimentos do primeiro século.
Para eles, o Apocalipse descreve, em grande parte, os eventos que culminaram na destruição de Jerusalém, incluindo o julgamento de Israel e a transição da antiga para a nova aliança. Eles argumentam que seria incoerente interpretar esses termos como indicando um futuro distante, uma vez que isso contradiz o sentido natural das palavras.
Além disso, o preterismo extremo rejeita as interpretações futuristas que veem o Apocalipse como profecias sobre o fim do mundo, sustentando que o foco do livro é a vindicação da Igreja e a derrota dos inimigos de Cristo no contexto do século I.
Outras Passagens Relevantes
1 Coríntios 15 – A Ressurreição dos Mortos
O capítulo 15 de 1 Coríntios é interpretado pelos preteristas extremos como uma descrição da ressurreição espiritual e coletiva dos santos do Antigo Testamento. Eles sustentam que a "ressurreição" não é física, mas a transição das almas do Hades para a plenitude da vida em Cristo após 70 d.C., com a inauguração plena do reino de Deus.
João 5:28-29 – A Ressurreição para Vida e Juízo
"Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz."
Para os preteristas extremos, a "hora" mencionada refere-se ao primeiro século, quando o juízo divino sobre Israel foi executado e a ressurreição espiritual dos mortos ocorreu. Eles rejeitam uma ressurreição corporal futura, reinterpretando a passagem como um evento já realizado em termos espirituais.
Atos 1:11 – O Retorno de Jesus
"Este Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir."
O preterismo extremo entende esse texto como uma referência simbólica à "vinda" de Jesus em 70 d.C. Eles argumentam que a linguagem não deve ser tomada literalmente como um retorno físico, mas como uma manifestação de seu poder e autoridade no julgamento sobre Jerusalém.
Apocalipse 20 – O Milênio e o Juízo Final
O milênio em Apocalipse 20 é interpretado pelos preteristas extremos como o período entre a ressurreição de Cristo e a destruição de Jerusalém. Eles entendem o "juízo final" como o julgamento histórico de Israel e das nações em 70 d.C., rejeitando qualquer aplicação futura desse evento.
Conclusão
As interpretações preteristas extremas buscam uma aplicação contextual das Escrituras, afirmando que as profecias bíblicas foram cumpridas no primeiro século, particularmente com a destruição de Jerusalém. Embora ofereçam uma leitura coesa de passagens como Mateus 24:34, Lucas 21:22 e Apocalipse 1:1, essas interpretações são amplamente contestadas devido às suas implicações teológicas, especialmente em relação à ressurreição, ao juízo final e à esperança escatológica da Igreja. O debate permanece intenso, refletindo as divergências hermenêuticas fundamentais dentro do cristianismo.
VAMOS PARA O CAPÍTULO SETE
7. CRÍTICAS TEOLÓGICAS AO PRETERISMO CONSUMADO
O preterismo consumado, apesar de sua tentativa de oferecer uma leitura coesa das profecias bíblicas, enfrenta sérias críticas teológicas devido às implicações de suas interpretações. Suas conclusões desafiam pontos centrais da doutrina cristã e se distanciam da tradição interpretativa majoritária da Igreja ao longo dos séculos. A seguir, são analisadas algumas das principais críticas dirigidas a essa abordagem.
A Negação da Ressurreição Física
Uma das críticas mais frequentes ao preterismo consumado é sua rejeição da ressurreição física dos mortos, uma doutrina central do cristianismo. Os adeptos dessa visão interpretam a ressurreição descrita em passagens como 1 Coríntios 15 e 1 Tessalonicenses 4:16-17 como um evento espiritual e coletivo que ocorreu no primeiro século, associado à libertação dos santos do Antigo Testamento do Hades.
Essa abordagem contrasta diretamente com a crença histórica da Igreja, que sustenta uma ressurreição corporal futura, em conformidade com o exemplo de Jesus Cristo. Como Paulo argumenta em 1 Coríntios 15:12-20, a ressurreição de Cristo é o fundamento da esperança cristã, e ela é apresentada como um evento literal e físico. A negação dessa dimensão física é frequentemente vista como uma distorção do significado escatológico da ressurreição e como uma ruptura com a ortodoxia cristã.
Além disso, a interpretação preterista consumada é criticada por ignorar o testemunho unificado das Escrituras sobre a redenção não apenas da alma, mas também do corpo, como descrito em Romanos 8:23, onde Paulo fala da "redenção do nosso corpo".
A Confusão entre Juízo Local e Universal
O preterismo consumado entende o juízo final como um evento já ocorrido, concretizado na destruição de Jerusalém em 70 d.C. Para seus defensores, o cerco de Jerusalém foi o ato culminante do julgamento divino, tanto sobre Israel quanto sobre as nações.
Essa interpretação é amplamente criticada por confundir o juízo local sobre Israel com o juízo universal descrito em passagens como Mateus 25:31-46 e Apocalipse 20:11-15. O juízo final, conforme apresentado na tradição cristã, é um evento escatológico que envolve todos os seres humanos e marca a separação definitiva entre os justos e os ímpios.
A leitura preterista consumada, ao restringir o juízo ao primeiro século, é acusada de negligenciar o alcance universal das promessas e advertências bíblicas. Além disso, ela é vista como uma redução indevida do plano redentor de Deus, que inclui o julgamento de toda a criação e a restauração final de todas as coisas.
A Minimização da Esperança Escatológica
Outra crítica significativa ao preterismo consumado é a minimização da esperança escatológica cristã. Ao declarar que todas as profecias foram cumpridas no primeiro século, essa abordagem elimina a expectativa de eventos futuros como a segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e a criação do novo céu e nova terra.
Essa postura é frequentemente considerada incompatível com o ensino do Novo Testamento, que apresenta a esperança escatológica como um elemento central da fé cristã. Passagens como Tito 2:13, que fala da "bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo", apontam para um evento futuro que ainda é aguardado pela Igreja.
A redução da escatologia a eventos passados pode levar à perda de um dos pilares da teologia cristã: a expectativa da consumação definitiva do plano de Deus, quando a justiça será plenamente estabelecida e a criação será redimida. Além disso, tal minimização pode enfraquecer o papel motivador da escatologia na vida cristã, como sugerido em 2 Pedro 3:11-14, onde a expectativa da vinda do Senhor é apresentada como incentivo à santidade.
Divergências com os Credos Históricos da Igreja
O preterismo consumado também enfrenta oposição por suas divergências em relação aos credos históricos da Igreja, que têm sido fundamentais na definição da fé cristã ortodoxa. Documentos como o Credo Niceno-Constantinopolitano (381 d.C.) afirmam a expectativa da segunda vinda de Cristo, da ressurreição dos mortos e da vida no mundo vindouro.
Ao negar essas doutrinas ou reinterpretá-las como eventos já realizados, o preterismo consumado se posiciona fora do consenso histórico da Igreja. Essa ruptura é frequentemente vista como um afastamento da fé apostólica e da tradição cristã.
Por exemplo, a declaração do Credo Niceno de que Cristo "virá novamente com glória para julgar os vivos e os mortos" é entendida pela Igreja como um evento literal e futuro. A abordagem preterista consumada, ao reinterpretar esse juízo como um evento do primeiro século, é criticada por contradizer o ensino universalmente aceito ao longo da história da Igreja.
Além disso, essa visão é frequentemente acusada de individualismo hermenêutico, ignorando o papel coletivo da Igreja na preservação e transmissão da fé.
Conclusão
As críticas ao preterismo consumado apontam para sérias dificuldades teológicas e hermenêuticas. A negação da ressurreição física, a confusão entre juízo local e universal, a minimização da esperança escatológica e as divergências com os credos históricos são questões que levantam dúvidas sobre a ortodoxia dessa abordagem.
Embora o preterismo consumado busque oferecer uma leitura coesa das Escrituras, sua rejeição de elementos fundamentais da fé cristã o coloca em desacordo com a tradição histórica da Igreja. O debate em torno dessa visão reflete a importância de uma escatologia bem fundamentada e equilibrada, que reconheça tanto os cumprimentos passados das profecias quanto as promessas futuras ainda aguardadas pela Igreja.
VAMOS PARA O CAPÍTULO OITO
8. IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS DO PRETERISMO CONSUMADO
O preterismo consumado apresenta uma perspectiva que desafia a compreensão tradicional da escatologia cristã, propondo que todos os eventos proféticos e escatológicos foram cumpridos no primeiro século, especialmente com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Essa abordagem, embora atraente para alguns devido à sua tentativa de coerência hermenêutica, traz implicações teológicas significativas, que afetam áreas fundamentais da doutrina cristã.
A Perda da Esperança Escatológica
Uma das implicações mais evidentes do preterismo consumado é a eliminação da expectativa de eventos futuros como a segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e a criação de um novo céu e uma nova terra. Para os adeptos dessa perspectiva, tais eventos já se cumpriram, e o reino de Deus foi plenamente estabelecido no contexto do primeiro século.
Essa interpretação, entretanto, é criticada por minar a esperança escatológica que permeia o Novo Testamento. Passagens como Tito 2:13, que descreve a "bem-aventurada esperança" da manifestação gloriosa de Cristo, e 2 Pedro 3:13, que fala da "esperança de novos céus e nova terra", apontam para uma consumação futura ainda aguardada pelos cristãos.
A perda dessa dimensão esperançosa pode enfraquecer a espiritualidade cristã, que encontra grande parte de sua motivação na antecipação do retorno de Cristo e na restauração completa da criação. Sem essa expectativa, a mensagem cristã corre o risco de se tornar excessivamente centrada no presente, perdendo seu caráter escatológico e transcendente.
A Redução da Redenção Cósmica
Outra implicação teológica importante é a redução da abrangência da redenção cósmica. A tradição cristã entende que a obra de Cristo não se limita à salvação individual, mas abrange toda a criação. Passagens como Romanos 8:19-23 descrevem a criação aguardando com expectativa sua libertação da corrupção, que ocorrerá na consumação dos tempos.
No entanto, o preterismo consumado interpreta essa redenção cósmica como já realizada, relegando sua manifestação a eventos históricos e espirituais do primeiro século. Essa visão é criticada por negligenciar o aspecto futuro da restauração de todas as coisas, conforme descrito em Apocalipse 21-22.
Ao restringir a redenção ao passado, o preterismo consumado é acusado de não reconhecer plenamente a amplitude do plano redentor de Deus, que inclui a renovação da criação física e espiritual. Essa limitação compromete a visão cristã holística de um Deus que redime não apenas almas, mas também corpos e o cosmos inteiro.
A Reinterpretação da Ressurreição
A ressurreição é um dos pontos mais polêmicos na teologia do preterismo consumado. Seus defensores rejeitam a noção de uma ressurreição corporal futura, interpretando passagens como 1 Coríntios 15 e 1 Tessalonicenses 4:16-17 como referindo-se a uma ressurreição espiritual que já ocorreu. Essa ressurreição seria a transição dos santos do Antigo Testamento do Hades para a presença de Deus, após a destruição de Jerusalém.
Essa abordagem contrasta diretamente com a visão histórica da Igreja, que defende uma ressurreição literal e corporal, fundamentada no exemplo da ressurreição de Cristo. O apóstolo Paulo enfatiza que a ressurreição de Jesus é a garantia da ressurreição futura de todos os crentes (1 Coríntios 15:20-22).
A rejeição da ressurreição corporal pelo preterismo consumado é vista como uma negação de uma das doutrinas mais centrais do cristianismo, afetando a antropologia cristã, que valoriza o corpo como parte integral do ser humano, destinado à redenção.
O Impacto sobre a Doutrina Cristã Tradicional
As implicações do preterismo consumado também afetam a doutrina cristã de maneira mais ampla, especialmente em sua relação com os credos históricos da Igreja. Credos como o Niceno-Constantinopolitano (381 d.C.) e o Apostólico afirmam explicitamente a expectativa da segunda vinda de Cristo, da ressurreição dos mortos e do juízo final.
Ao reinterpretar esses eventos como já cumpridos, o preterismo consumado se coloca em desacordo com a tradição histórica e ecumênica do cristianismo. Essa divergência é frequentemente vista como um rompimento com a fé apostólica, que enfatiza a continuidade entre a obra redentora de Cristo no passado, presente e futuro.
Além disso, o impacto dessa abordagem sobre a doutrina cristã tradicional pode ser visto na maneira como ela redefine o papel da escatologia na teologia sistemática. A escatologia, que tradicionalmente aponta para a consumação futura, é reduzida a uma análise de eventos passados, o que pode enfraquecer sua função motivadora e consoladora na vida cristã.
Conclusão
O preterismo consumado apresenta implicações teológicas profundas, que desafiam a esperança escatológica, reduzem a visão da redenção cósmica, reinterpretam a doutrina da ressurreição e entram em conflito com os credos históricos da Igreja.
Embora ofereça uma leitura interessante de alguns textos bíblicos, suas conclusões são amplamente vistas como incompatíveis com a tradição cristã e a mensagem unificada das Escrituras. O impacto dessas implicações demonstra a importância de uma abordagem equilibrada da escatologia, que reconheça tanto os cumprimentos passados das profecias quanto a expectativa de sua consumação futura.
VAMOS PARA O CAPÍTULO NOVE
9. PROBLEMAS HERMENÊUTICOS E INTERPRETATIVOS
O preterismo consumado enfrenta críticas significativas no campo da hermenêutica, principalmente devido à forma como interpreta as Escrituras. As acusações de uso seletivo de textos bíblicos, a redução de contextos universais a eventos locais e a exclusão de uma perspectiva futura e universal destacam dificuldades em sua abordagem interpretativa. Esses problemas, analisados academicamente, revelam fragilidades na sustentação dessa posição escatológica.
O Uso Seletivo de Textos Bíblicos
Uma das principais críticas ao preterismo consumado é a sua tendência a priorizar textos específicos que se alinham com sua tese, enquanto ignora ou minimiza outros que sugerem uma perspectiva futura e universal. Por exemplo, passagens como Mateus 24:34 ("Esta geração não passará até que todas essas coisas aconteçam") são frequentemente usadas para fundamentar a ideia de que as profecias escatológicas se cumpriram no primeiro século. No entanto, textos como 2 Pedro 3:8-13, que descrevem a destruição dos céus e da terra e a expectativa de "novos céus e nova terra", são frequentemente reinterpretados ou relegados a um plano simbólico.
Essa abordagem seletiva é problemática porque compromete a integridade hermenêutica do texto bíblico, que deve ser interpretado em sua totalidade e coerência interna. A interpretação preterista consumada é acusada de forçar significados em textos isolados para acomodar sua visão, negligenciando o contexto mais amplo das Escrituras e a tensão escatológica que permeia o Novo Testamento.
Além disso, o uso seletivo de textos pode levar a uma leitura fragmentada da Bíblia, dificultando a compreensão do plano redentor de Deus em sua totalidade. Essa metodologia hermenêutica é frequentemente vista como insuficiente para lidar com a complexidade e a diversidade das profecias bíblicas.
A Redução do Contexto Universal a um Evento Local
Outro problema significativo é a tendência do preterismo consumado de reduzir contextos e promessas universais a eventos locais e históricos, como a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Para os adeptos dessa visão, passagens que tradicionalmente apontam para eventos globais, como o juízo final (Apocalipse 20:11-15) e a vinda de Cristo "com poder e grande glória" (Mateus 24:30), são interpretadas como referências ao julgamento de Israel e à transição da antiga aliança para a nova.
Essa redução é frequentemente criticada por desconsiderar o alcance universal da narrativa bíblica. Promessas como a redenção de toda a criação (Romanos 8:18-23) e a consumação do plano de Deus "para reunir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Efésios 1:10) são difíceis de conciliar com uma interpretação estritamente local.
A redução do contexto universal a um evento local também é acusada de limitar a dimensão escatológica das Escrituras. Enquanto a narrativa bíblica aponta para uma redenção que abrange todas as nações, povos e a criação como um todo, o preterismo consumado restringe esse alcance a um julgamento específico sobre Israel, enfraquecendo a mensagem universal da Bíblia.
A Exclusão de uma Interpretação Futura e Universal
O preterismo consumado, ao afirmar que todas as profecias escatológicas foram cumpridas no primeiro século, exclui a possibilidade de uma interpretação futura e universal. Essa exclusão contradiz a expectativa da Igreja ao longo dos séculos, que tem aguardado o cumprimento pleno de promessas como a segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e a criação de novos céus e nova terra.
A interpretação preterista consumada é frequentemente criticada por negligenciar o caráter "já e ainda não" da escatologia bíblica, que reconhece o cumprimento inicial das promessas em Cristo, mas mantém uma expectativa de sua consumação futura. Essa tensão é evidente em passagens como 1 Coríntios 15:24-28, onde Paulo descreve o reinado de Cristo até que "ele tenha destruído todo domínio, autoridade e poder" e entregue o reino ao Pai.
Ao excluir uma perspectiva futura, o preterismo consumado é acusado de limitar a relevância e a aplicabilidade das promessas bíblicas para os cristãos de todas as épocas. Essa abordagem também levanta questões sobre o significado da esperança cristã e a expectativa do cumprimento final do plano redentor de Deus.
Conclusão
Os problemas hermenêuticos e interpretativos do preterismo consumado destacam fragilidades em sua abordagem das Escrituras. O uso seletivo de textos, a redução do contexto universal a eventos locais e a exclusão de uma perspectiva futura e universal comprometem sua coerência teológica e hermenêutica.
Enquanto busca oferecer uma leitura sistemática das profecias bíblicas, o preterismo consumado é frequentemente criticado por ignorar aspectos fundamentais da narrativa escatológica, como o alcance universal da redenção e a expectativa de consumação futura. Essas questões enfatizam a importância de uma hermenêutica equilibrada, que respeite tanto o cumprimento histórico das profecias quanto sua aplicação e esperança escatológica contínuas.
VAMOS PARA O CAPÍTULO DEZ
10. REJEIÇÃO E RELEVÂNCIA DO PRETERISMO CONSUMADO NA TRADIÇÃO CRISTÃ
O preterismo consumado, enquanto uma abordagem interpretativa da escatologia bíblica, representa uma posição minoritária que tem sido amplamente rejeitada pela tradição cristã ortodoxa e histórica. Apesar disso, sua aceitação em grupos dissidentes e seu impacto no debate teológico contemporâneo levantam questões sobre sua relevância na história da Igreja e nos estudos escatológicos. Este capítulo examina a rejeição do preterismo consumado pelo cristianismo histórico, sua aceitação em contextos alternativos, sua relação com a tradição escatológica da Igreja e seu possível futuro no discurso teológico.
A Rejeição pelo Cristianismo Ortodoxo e Histórico
A posição do preterismo consumado entra em conflito direto com os pilares fundamentais da doutrina cristã, conforme estabelecidos nos credos históricos e pela tradição da Igreja. Credos como o Niceno-Constantinopolitano (381 d.C.) e o Apostólico afirmam a expectativa da segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e o juízo final como eventos futuros e universais.
O preterismo consumado, ao declarar que todas as profecias escatológicas foram cumpridas no primeiro século, nega essas crenças fundamentais. Como resultado, ele tem sido amplamente rejeitado por denominações ortodoxas e evangélicas, sendo considerado uma interpretação heterodoxa que contradiz a fé cristã universal.
A rejeição histórica também é evidenciada na obra de teólogos reformados e patrísticos. Por exemplo, Agostinho de Hipona, em A Cidade de Deus, sustenta uma visão escatológica que inclui um juízo final futuro e uma nova criação. De maneira semelhante, a tradição reformada pós-Reforma reforçou a centralidade das doutrinas escatológicas tradicionais, enfatizando a tensão entre o "já" e o "ainda não" do reino de Deus.
A Aceitação em Grupos Dissidentes
Embora rejeitado pela ortodoxia cristã, o preterismo consumado encontrou aceitação em grupos dissidentes e círculos interpretativos alternativos. Esses grupos, muitas vezes à margem do cristianismo tradicional, abraçam o preterismo consumado como uma alternativa às visões escatológicas majoritárias, como o futurismo e o amilenismo.
Essa aceitação ocorre, em parte, devido à proposta hermenêutica do preterismo consumado, que oferece uma interpretação histórica das profecias bíblicas, afastando-se das expectativas apocalípticas futuras. Grupos como alguns unitaristas e movimentos independentes não alinhados à tradição cristã ortodoxa têm integrado elementos do preterismo consumado em suas teologias.
Apesar disso, a influência desses grupos é limitada, e suas interpretações são frequentemente vistas como isoladas e desconectadas do cristianismo histórico. Sua aceitação do preterismo consumado é, em grande parte, uma resposta às frustrações com as interpretações escatológicas tradicionais, mas raramente encontra ressonância no cristianismo de linha principal.
O Preterismo e a Tradição Escatológica da Igreja
A escatologia cristã, conforme desenvolvida na tradição da Igreja, sempre foi marcada por uma tensão entre o cumprimento parcial das promessas divinas no ministério de Cristo e a expectativa de uma consumação futura. Essa tensão, frequentemente expressa como o "já e ainda não" da escatologia, é central para a teologia cristã.
O preterismo consumado, ao negar a dimensão futura da escatologia, rompe com essa tradição e oferece uma visão que está em desacordo com a teologia escatológica da Igreja. O ensino da Igreja ao longo dos séculos, desde os Pais da Igreja até os reformadores, enfatiza a segunda vinda de Cristo como o clímax da história redentora, um evento futuro que trará o juízo final e a plena restauração da criação.
Embora o preterismo consumado alegue fornecer uma interpretação mais coesa e histórica das Escrituras, ele é amplamente considerado insuficiente para abarcar a totalidade da mensagem escatológica da Bíblia. A tradição da Igreja sustenta uma esperança futura que transcende os eventos do primeiro século, ancorada na promessa da vinda de Cristo e na consumação de todas as coisas.
O Futuro do Preterismo Consumado no Debate Teológico
O preterismo consumado, apesar de sua posição minoritária, continua a gerar debates teológicos significativos. Sua abordagem das Escrituras desafia intérpretes e teólogos a reconsiderar questões de hermenêutica, contexto histórico e a natureza do cumprimento profético.
No entanto, o futuro do preterismo consumado no cenário teológico parece limitado, devido às suas incompatibilidades com a tradição cristã ortodoxa e sua dificuldade em responder a questões fundamentais, como a ressurreição corporal e a consumação escatológica universal.
Ao mesmo tempo, sua ênfase na leitura histórica das profecias pode servir como um catalisador para discussões mais amplas sobre a relação entre história e escatologia. O preterismo consumado levanta questões legítimas sobre o papel do cumprimento profético na narrativa bíblica, ainda que suas conclusões sejam amplamente rejeitadas pela ortodoxia cristã.
O debate em torno do preterismo consumado destaca a importância de uma abordagem equilibrada à escatologia, que reconheça tanto os eventos históricos do primeiro século quanto a esperança futura ainda aguardada pela Igreja.
Conclusão
O preterismo consumado, enquanto uma perspectiva interpretativa, permanece amplamente rejeitado pela tradição cristã ortodoxa devido à sua incompatibilidade com os credos históricos e a teologia escatológica da Igreja. Apesar de sua aceitação em grupos dissidentes, ele ocupa uma posição marginal no cristianismo contemporâneo.
Sua relevância no debate teológico reside principalmente na forma como desafia interpretações tradicionais e levanta questões importantes sobre a hermenêutica e o cumprimento profético. Contudo, sua influência futura dependerá de sua capacidade de dialogar com a teologia cristã histórica, sem comprometer os fundamentos da fé apostólica.
VAMOS PARA O CAPÍTULO ONZE
11. CONCLUSÃO
Este capítulo final sintetiza as questões teológicas e hermenêuticas relacionadas ao preterismo consumado, avaliando criticamente sua classificação como heresia e refletindo sobre as implicações dessa posição na compreensão da escatologia cristã. Além disso, ele examina o pré-milenismo histórico pós-tribulacionista como uma alternativa fiel às doutrinas apostólicas e à tradição cristã primitiva.
Resumo das Questões Teológicas e Hermenêuticas
O preterismo consumado, ao afirmar que todas as profecias escatológicas da Escritura foram cumpridas no primeiro século, apresenta desafios significativos à teologia cristã tradicional. Entre os problemas mais notáveis estão:
A Negação da Ressurreição Física: Essa posição redefine a ressurreição como um evento espiritual já realizado, contrariando a crença histórica em uma ressurreição corporal futura, conforme exemplificado na ressurreição de Cristo (1 Coríntios 15:12-23).
A Minimização da Esperança Escatológica: O preterismo consumado elimina a expectativa futura da segunda vinda de Cristo e da consumação final, reduzindo a esperança cristã a um evento histórico passado.
Problemas Hermenêuticos: A abordagem seletiva de textos bíblicos, a redução de contextos universais a eventos locais e a exclusão de uma interpretação futura e universal comprometem a coerência da interpretação bíblica.
Esses problemas revelam que o preterismo consumado falha em articular uma visão escatológica que faça justiça à integridade das Escrituras e à tradição teológica da Igreja.
O Preterismo Consumado como Heresia: Uma Avaliação Crítica
Historicamente, a Igreja tem rejeitado o preterismo consumado como uma interpretação herética. Essa posição se desvia das doutrinas centrais do cristianismo, conforme articuladas nos credos ecumênicos e na teologia patrística. O conceito de heresia, no contexto cristão, refere-se a ensinamentos que contradizem elementos essenciais da fé apostólica.
Conflito com os Credos Históricos: Credos como o Niceno-Constantinopolitano afirmam a ressurreição futura dos mortos, a vida eterna e a expectativa da segunda vinda de Cristo, todas as quais são negadas ou reinterpretadas pelo preterismo consumado.
Incompatibilidade com a Teologia Bíblica: A rejeição do preterismo consumado também é baseada em sua incompatibilidade com a narrativa bíblica unificada, que aponta para a consumação futura como o clímax do plano redentor de Deus.
O preterismo consumado, ao negar a dimensão futura da escatologia, é corretamente classificado como heresia, pois compromete as bases doutrinárias fundamentais do cristianismo.
Considerações Finais sobre a Escatologia Cristã e o Pré-Milenismo Histórico Pós-Tribulacionista
Diante das falhas do preterismo consumado, é importante considerar o pré-milenismo histórico pós-tribulacionista como uma alternativa fiel e consistente com as Escrituras e a tradição apostólica. Essa visão escatológica, amplamente considerada como a mais antiga da Igreja, remonta ao primeiro século e está enraizada nos ensinamentos dos apóstolos.
Origem Apostólica: O pré-milenismo histórico, também chamado de quiliasmo, foi a visão predominante na Igreja primitiva, especialmente nos escritos de teólogos como Papias, Irineu de Lyon e Justino Mártir. Ele reflete a expectativa dos apóstolos de que Cristo retornará após um período de tribulação, para estabelecer seu reino milenar (Apocalipse 20:1-6).
Fidelidade às Escrituras: Essa posição preserva a tensão escatológica entre o "já" e o "ainda não", reconhecendo o cumprimento inicial das promessas em Cristo e aguardando sua plena realização na segunda vinda. Ela também sustenta a crença na ressurreição corporal, no juízo final e na renovação da criação, de acordo com a narrativa bíblica.
Continuidade com a Tradição: A visão pré-milenista pós-tribulacionista mantém continuidade com a fé cristã histórica e os credos ecumênicos, ao contrário de posições heterodoxas como o preterismo consumado.
Essa perspectiva oferece uma compreensão equilibrada da escatologia cristã, ancorada na Escritura e na tradição, e proporciona uma esperança robusta e consistente para a Igreja.
A interpretação de que Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21 (os chamados "discursos escatológicos") e partes do Apocalipse se cumpriram no passado, especificamente na destruição de Jerusalém em 70 d.C., é uma visão que ganhou tração em contextos históricos e teológicos específicos ao longo da história da Igreja. Esse entendimento é geralmente associado ao preterismo parcial, que interpreta algumas profecias como cumpridas no passado, mas não ao preterismo extremo, que afirma que todos os eventos escatológicos já ocorreram.
Abaixo estão os momentos e contextos principais dessa interpretação (Um resumo cronológico):
1. Os Primeiros Séculos (Século I-III): Uma Interpretação Contextual
Contexto histórico: A destruição de Jerusalém em 70 d.C. foi um evento catastrófico que impactou profundamente a comunidade cristã primitiva, especialmente os judeus-cristãos. Para eles, era natural interpretar as palavras de Jesus sobre a destruição do templo como um cumprimento direto desse evento.
Evidência: Eusébio de Cesareia (século IV) relatou que os cristãos fugiram para Pela, na Jordânia, antes da destruição de Jerusalém, entendendo os alertas de Jesus em Mateus 24 e Lucas 21 como profecias sobre o evento iminente.
2. Período Patrístico (Século IV-V): Início da Sistematização
Desenvolvimento teológico: Durante este período, alguns Pais da Igreja começaram a identificar a destruição de Jerusalém como um cumprimento das profecias de Jesus. No entanto, eles ainda esperavam um cumprimento futuro para eventos como a segunda vinda de Cristo e o juízo final.
Principais defensores:
Orígenes (século III) interpretou muitas profecias de maneira alegórica, mas reconheceu que eventos históricos, como a queda de Jerusalém, cumpriam parcialmente as palavras de Jesus.
Agostinho (século IV-V) também aceitou que partes dos discursos escatológicos se referiam a 70 d.C., mas esperava um cumprimento futuro mais abrangente.
3. Reforma Protestante (Século XVI): Ressurgimento Histórico
Contexto teológico: Durante a Reforma, os reformadores, como Martinho Lutero e João Calvino, rejeitaram a escatologia medieval, incluindo a visão predominante do Apocalipse como puramente futurista ou alegórica. Eles interpretaram partes das Escrituras em um contexto histórico, mas ainda não adotaram completamente o preterismo.
Apocalipse como crítica ao papado: Reformadores frequentemente viam no Apocalipse uma descrição do papado como o "anticristo", mas algumas referências à destruição de Jerusalém eram reconhecidas como cumpridas em 70 d.C.
4. O Surgimento do Preterismo (Século XVII): A Sistematização
Início formal: O preterismo como uma abordagem sistemática começou a surgir com o teólogo jesuíta Luis de Alcazar (1554-1613). Em sua obra Investigation of the Hidden Sense of the Apocalypse, Alcazar propôs que grande parte do Apocalipse e das profecias escatológicas já haviam sido cumpridas no primeiro século, principalmente na destruição de Jerusalém e na derrota do paganismo pelo cristianismo.
Motivação: A obra de Alcazar visava combater a interpretação protestante que identificava o papado com o anticristo, reinterpretando os textos escatológicos como cumpridos no passado.
5. Era Moderna (Século XIX): Expansão do Preterismo Parcial
Desenvolvimento teológico: No século XIX, o preterismo parcial ganhou mais aceitação entre teólogos protestantes, especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, como uma forma de interpretar os discursos escatológicos e o Apocalipse de maneira histórica.
Principais defensores:
J. Stuart Russell, em sua obra The Parousia (1878), argumentou que muitas das profecias de Jesus foram cumpridas na destruição de Jerusalém, embora ainda acreditasse em um cumprimento futuro para eventos como a ressurreição final.
Teólogos anglicanos e reformados começaram a adotar o preterismo parcial como uma alternativa ao futurismo dispensacionalista, que se tornou popular no mesmo período.
6. O Preterismo Extremo no Século XX e XXI
Embora o preterismo parcial seja amplamente aceito em círculos teológicos, o preterismo extremo (hiperpreterismo) começou a emergir em movimentos mais marginais no século XX. Essa visão é rejeitada por ser inconsistente com as doutrinas cristãs históricas, como a segunda vinda literal de Cristo.
Conclusão
A defesa de que Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21 e parte do Apocalipse se cumpriram em 70 d.C. começou como uma interpretação natural entre os cristãos primitivos e foi sistematizada por teólogos como Luis de Alcazar no período pós-Reforma. Hoje, o preterismo parcial é amplamente aceito em diversas tradições cristãs, enquanto o preterismo extremo permanece uma posição minoritária e controversa.
Conclusão Final
O preterismo consumado, embora apresentando uma tentativa de sistematizar as profecias bíblicas, é amplamente rejeitado como heresia por sua incompatibilidade com os fundamentos da fé cristã. Ele falha em preservar a esperança escatológica e a integridade da narrativa bíblica, comprometendo doutrinas centrais como a ressurreição física e a consumação futura.
Por outro lado, o pré-milenismo histórico pós-tribulacionista se destaca como a abordagem mais fiel às Escrituras e à tradição apostólica. Sua ênfase na segunda vinda de Cristo, na ressurreição corporal e na renovação cósmica reflete a esperança cristã que tem sustentado a Igreja ao longo dos séculos.
Essa visão, profundamente enraizada nos ensinamentos dos apóstolos e na teologia da Igreja primitiva, continua a ser uma âncora doutrinária para cristãos que buscam uma escatologia que honre tanto o testemunho bíblico quanto a herança da fé cristã.
Considerações Finais e Oração
Ao longo deste estudo, analisamos criticamente os fundamentos, implicações e desafios apresentados pelo preterismo consumado, contrastando-o com a fé cristã histórica. A rejeição dessa posição herética, tanto pela tradição apostólica quanto pela teologia contemporânea, é essencial para preservar a integridade doutrinária da Igreja e sua esperança escatológica.
Reconhecemos que a escatologia bíblica aponta para a consumação do plano redentor de Deus, ancorada na segunda vinda de Cristo, na ressurreição dos mortos e na renovação de toda a criação. O pré-milenismo histórico pós-tribulacionista, como a visão mais antiga da Igreja, reflete fielmente as promessas divinas e a expectativa cristã desde os tempos apostólicos. Essa esperança é não apenas uma doutrina, mas uma âncora viva para a fé dos crentes em todas as gerações.
Peçamos a Deus que, como Igreja, continuemos firmes na esperança que Ele nos deu, rejeitando interpretações que desviam da verdade e proclamando fielmente o Evangelho de Cristo até que Ele venha.
Oração:
Senhor Deus Todo-Poderoso, agradecemos por Tua Palavra, que é viva, poderosa e capaz de nos guiar em toda a verdade. Pedimos que nos ajudes a permanecer fiéis à fé que uma vez foi entregue aos santos e a aguardarmos com perseverança a gloriosa vinda de Teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo. Guarda-nos de heresias e interpretações equivocadas, e fortalece-nos na esperança da ressurreição e da renovação de todas as coisas. Que a Tua Igreja seja sempre um testemunho fiel da Tua glória e do Teu amor.
Em nome de Jesus, oramos. Amém.
Pr. Thiago Giraldes Sanchez