segunda-feira, 11 de outubro de 2021

"ANALISANDO A QUESTÃO DO LIVRE-ARBÍTRIO"

Livre arbítrio, inicialmente (antes da queda de Adão), significava: Ser livre ou independente para (sem uma inclinação interna exacerbada, humanamente falando, por si só, incontrolável e\ou irrefreável) tomar uma decisão, e agir de uma forma neutra, tão somente por que quis agir conforme sua decisão interna.

 

O arbítrio hoje, de certa forma foi restaurado (aos que servem a Deus e a Cristo), por meio de Cristo e mediante o abraçar com fé a nova aliança, tal arbítrio ainda não é livre, haja vista, o nosso corpo ainda não foi transformado juntamente com sua natureza humana caída.

 

Livre arbítrio, hoje (pós queda humana), só é possível para o ser humano em estado de perfeito equilíbrio; e isso só se dará perfeitamente quando se cumprir o mistério que Paulo menciona em 1 Coríntios 15 sobre a transformação do nosso corpo com sua natureza humana terrena defeituosa por consequência do pecado de Adão, com a qual todo filho e filha de Adão vem ao mundo, com exceção de Cristo que não era filho de Adão mas sim o segundo Adão, o último Adão.

 

O primeiro Adão teve livre arbítrio até o momento em que pecou; nesse momento uma alteração aconteceu em suas inclinações e ele deixou de ser livre para fazer uso do arbítrio.

 

O segundo Adão (concebido no ventre de uma jovem virgem, vindo ao mundo como homem, estava em estado de perfeito equilíbrio assim como Adão esteve antes da queda) em momento algum perdeu seu livre arbítrio; pois, não houve um momento sequer em que ele praticou pecado; ele usou sempre seu livre-arbítrio para se submeter a vontade do Pai e assim fazer aquilo que aos olhos de Deus o Pai seria o certo a se fazer. .

Ou seja, Após o primeiro pecado de Adão e Eva, estes e os que vieram após estes e destes, deixaram de ter livre arbítrio, e passaram a ter apenas arbítrio, ou seja, o poder de escolha em si e\ou por si só.


Mas esse poder, essa capacidade, não era um poder neutro, ou seja, a pessoa não estava num estado de neutralidade, para fazer sua escolha e a por em prática por meio de suas ações externas sem qualquer influência interna descontrolada ou desequilibrada ou exacerbada.


O ser humano após a queda de Adão, vem ao mundo com as duas inclinações internas desajustadas; antes do pecado de Adão e Eva, o ser humano estava em perfeito equilíbrio, ou seja, perfeitamente equilibrado para fazer a vontade de Deus; mas com a queda de Adão e Eva, uma inclinação interna passou a estar mais forte que a outra inclinação interna, subjugando-a; e neste caso a inclinação a carne passou a estar mais forte que a inclinação ao espírito, de modo que o ser humano por si só (ainda que seja este um mero religioso, sem a presença de Cristo verdadeiramente), não consegue tão somente por meio da inclinação interna ao espírito, refrear a inclinação interna a carne, para agir, e agir da forma certa, fazendo o certo da forma certa, em sujeição a vontade do Criador, reconhecendo o Senhorio do Criador sobre a própria vida.


Por isso que após a queda de Adão, o ser humano em sua grande massa é apresentado na Bíblia se inclinando de forma desenfreada ao mal fazendo exatamente aquilo que era contrário a vontade do Criador. Exemplo: Gn 6:5 / Gn 8:21


O ser humano no seu estado original, tinha duas inclinações internas:


Inclinação ao espírito = consciência moral de que deve fazer a coisa certa do jeito certo.


Inclinação a carne = é a força interna que nos tira da passividade, nos lavando a agir, despertando desejos e vontades e nos impulsionando em prol destes desejos e vontades, por exemplo, o desejo e vontade de comer ou de obter algo para si que nos leva a trabalhar, o desejo e vontade de fazer sexo que nos leva a nos casarmos e assim gerarmos descendência sobre a terra; é uma tendência instintiva que impele o indivíduo a realizar determinados atos.


Ambas as inclinações são fundamentais; não poderíamos ter somente uma delas; por exemplo, se tivéssemos somente a inclinação interna ao espírito ficaríamos em um estado de total inércia, não comeríamos, não casaríamos, não construiríamos casas, não faríamos exatamente nada; por outro lado, se só tivéssemos somente a inclinação a carne não confiaríamos em Deus de que Ele cuida de nós, e comeríamos como se nunca mais fossemos comer novamente nos tornando assim em verdadeiros glutões, bem como beberíamos ao ponto de nos tornarmos beberrões, um libertino, adoraríamos a tudo e a qualquer coisa como se estas coisas fossem dignas de adoração, nos tornaríamos prostitutos pois teríamos relação sexual com todo mundo que aparecesse na nossa frente, como muitos o fazem, e ainda sim não se sentem saciados mesmo havendo se deitado com inúmeras pessoas em um mesmo dia, etc.


É por isso que Deus criou o ser humano com ambas em si e em perfeito equilíbrio ou harmonia, para que por meio de uma o ser humano pudesse refrear a outra e livremente fazer a coisa certa do jeito certo; é certo construir uma casa, mas não é certo você invadir uma propriedade privada e construir ali uma casa para morar; o sexo não é errado, mas o fazer sexo sem compromisso de se unir com tal pessoa em matrimônio para formar uma família na terra, isso é moralmente falando errado.


Ou seja, uma me desperta para algo e me puxa em direção a este algo, mas a outra me leva a frear e refrear tal impulso no momento certo, a fim de fazer o certo mas do jeito certo\correto!


O ser humano foi originalmente criado perfeitamente equilibrado para escolher e fazer o certo, do jeito certo\correto.


Mas o ser humano quis ser autônomo, independente, como Deus o é!


O livre arbítrio não era para o ser humano se tornar autônomo ou independente; o livre arbítrio era para que o tal ao reconhecer o Senhorio do Criador, livremente se sujeitar a sua vontade deste e fazer aquilo que é seu dever; Ou seja, o ser humano não poderia usar da sua liberdade para dar ocasião a carne, isto é, para fazer tudo o que lhe desse na telha, mas sim para se sujeitar ao Senhorio dAquele que hierarquicamente está acima dele.


O ser humano deveria fazer uso do livre arbítrio da forma correta; mas não foi o que aconteceu, e Deus já sabia que isso aconteceria, por isso que Deus na verdade criou o ser humano para salvar o ser humano, pois quando ele criou o ser humano Ele já sabia que o ser humano iria falhar em cumprir o propósito para o qual Deus o criaria!


O ser humano fora do seu estado original, após a queda de Adão e Eva, passou a ter estas duas inclinações internas desajustadas, desequilibradas.


Deste modo, todos que vieram após Adão, os assim denominados filhos de Adão, vieram com esse desajuste em suas duas inclinações internas, e que muito rápido aflora é a (humanamente falando impossível de ser por muito tempo refreada) inclinação a carne; Jesus O Cristo homem, não era filho de Adão e sim de Deus, nasceu não da forma natural mas sobrenatural, logo, sem esse desajuste em suas inclinações; ele foi e é o Segundo\Último Adão.


Fora de Cristo nosso estado é o mesmo de todo ser humano natural ou meramente religioso após a queda de Adão; somos todos inicialmente filhos de Adão, nascidos de forma natural e com uma natureza humana decaída com suas incluinações internas desajustadas\desequilibradas em si.


Em Cristo, e através da nova aliança, estabelecida no calvário com o sangue de Jesus, nós passamos por uma transformação interna extraordinária que até certo ponto nos restaura e nos torna uma nova criatura, nascida de novo, uma nova criação, capacitada para aquilo que antes por si só era impossível de praticar, a saber, a vontade do Criador.


Em Cristo somos por Deus capacitados para um viver separado e irrepreensível diante de Deus e dos homens; mas, nós também precisamos ter o mesmo empenho que Cristo tinha desde a meninice; mais ainda nos de hoje em que vivemos, onde o pecado está forte no meio da sociedade em que vivemos; sendo assim, precisamos fortalecer o nosso espírito em Deus, através da oração, do estudo, da absorvição do aprendizado dos princípios existenciais em cada um dos mandamentos de Deus, e da prática dos mesmos; e assim, deste modo, a graça de Deus será notória em nossas vidas; mas ainda sim precisamos entender que por termos uma natureza humana danificada pelo pecado, cometeremos erros e deslizes na caminhada, e isso só vai acabar quando se cumprir o mistério que Paulo citou em 1 Coríntios 15 sobre a transformação dos nossos corpos com sua natureza humana.

 

Não é que você se tornar um super homem ou uma super mulher; mas, por outro lado, significa sim que você NÃO É esse fraco ou essa fraca que pensa e talvez diga que é!

 

Romanos 8. 22. Sabemos que até hoje toda a criação geme e padece, como em dores de parto. 23. E não somente ela, mas igualmente nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, também gememos em nosso íntimo, esperando com ansiosa expectativa, por nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.


Paulo escreveu:

 

1 Coríntios 15. 50. Contudo, irmãos, eu vos afirmo que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível. 51. Eis que eu vos declaro um mistério: nem todos adormeceremos, mas certamente, todos seremos transformados, 52. num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Porquanto a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. 53. Pois é impreterível que este corpo que perece se revista de incorruptibilidade, e o que é mortal, se revista de imortalidade. 54. No momento em que este corpo perecível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, for revestido de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “Devorada, pois, foi a morte pela vitória!” 55. “Onde está, ó Morte, a tua vitória? Onde está, ó Morte, o teu aguilhão?” 56. Porquanto, o aguilhão da Morte é o pecado, e o poder do pecado é a Lei. 57. Contudo, graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Conclusão: 

 

Temos arbítrio (poder de escolha e decisão) e não livre arbítrio; esse arbítrio só pode ser de fato livre como era antes de Adão pecar, quando se cumprir o mistério que Paulo menciona e que ainda está para se cumprir.

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