Texto Chave: Gálatas
6:14 “Mas longe esteja de mim gloriar-me,
a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está
crucificado para mim e eu para o mundo.”
A carta foi
destinada a um conjunto de igrejas localizadas na região da Galácia (Gl 1:2).
Durante o século III a.C. alguns gauleses migraram para o planalto do interior
da Ásia Menor e ali fundaram um reino. Sob o reinado de Amintas (século I a.C.)
esse reino estendeu-se até a Psídia, Licaônia e outros lugares ao Sul e quando,
com a morte de Amintas (25 a.C.), os romanos assumiram o controle, eles o
transformaram na província da Galácia. Para nós o problema é se a carta é
dirigida aos gálatas étnicos que viviam no norte da província ou aos sulistas
de várias raças que foram incluídos na província romana. Perto do final do
século III a área ao sul foi desmembrada, e a província foi reduzida à parte
norte, razão pela qual tradicionalmente se entende que Galácia se refere à
região norte. Contudo, considerando que não temos detalhes sobre uma passagem
de Paulo pelo norte, mas sim no sul, é provável que a epístola tenha sido
dirigida à Galácia do Sul.
Existe um evangelho
sim da circuncisão mas este é direcionado aos judeus e não aos gentios. Gálatas
2:7 “antes, pelo contrário, quando viram
que o evangelho da incircuncisão me fora confiado, como a Pedro o da
circuncisão.”
O evangelho da
circuncisão que NÃO EXCLUI a circuncisão externa foi confiado ao apóstolo Pedro
(mas não só Pedro tinha como missão os judeus, como também João e Tiago); Já o
evangelho da incircuncisão que NÃO INCLUI a circuncisão externa foi confiado ao
apóstolo Paulo. Gálatas 2:8,9 “(porque
aquele que operou a favor de Pedro para o apostolado da circuncisão, operou
também a meu favor para com os gentios), e quando conheceram a graça que me
fora dada, Tiago, Cefas e João, que pareciam ser as colunas, deram a mim e a
Barnabé as destras de comunhão, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à
circuncisão;”
É um erro grave
introduzir dentro do evangelho da circuncisão os gentios introduzidos no
evangelho da incircuncisão; quem vier a fazer isso constituir-se-á em um falso
irmão deturpador do evangelho destinado aos gentios em específico. Gálatas 2:12-14
“Pois antes de chegarem alguns da parte
de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando
e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus
também dissimularam com ele, de modo que até Barnabé se deixou levar pela sua
dissimulação. Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a verdade do
evangelho, disse a Cefas perante todos: Se tu, sendo judeu, vives como os
gentios, e não como os judeus, como é que obrigas os gentios a viverem como
judeus?”
“Da parte de Tiago”,
não indica que foram enviados por Tiago, mas sim que eram da comunidade de
Tiago, que estavam sobre forte pressão; estes, pela influência que causaram em
Pedro, são os mesmos que Paulo desdenha como corruptores do evangelho em 1:6-10
“Estou admirado de que tão depressa
estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro
evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem
perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu
vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, Como antes temos
dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além
do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou
o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando
aos homens, não seria servo de Cristo.”
Estes indivíduos
judeus, são os mesmo falsos irmãos infiltrados relatados por Paulo no capítulo
2:4,5 “e isto por causa dos falsos irmãos
intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos
em Cristo Jesus, para nos escravizar; aos quais nem ainda por uma hora cedemos
em sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós.”
O apóstolo Pedro,
antes destes indivíduos judeus judaizantes chegarem, comia com os gentios
crentes, e isso indica que ele não ficava de palhaçada ou frescura, a cerca da
pureza ritual que fazia parte mais da tradição dos rabinos, do que algo
inspirado pelo estudo da Torah (conjunto de instruções transmitido da parte de
Deus), isso em resumo quer dizer que, Pedro desde a visão do Lençol Zoológico
de Atos 10, entendeu que se eles se achegaram à Deus, e professam a fé em Jesus
como o Messias Salvador, eles são purificados de toda a impureza; sendo assim,
é possível estar com eles sem perder a pureza ritual correta da Torah, e não a
da tradição rabínica.
Ou seja, o apóstolo
Pedro temeu ser considerado impuro pelos judaizantes, ou ditos falsos irmãos,
que supõem que Paulo seja um falso mestre transmitindo falsos ensinamentos aos
gentios da Galácia, de modo que, estes gentios crentes tinham que abrir mão do
que haviam aprendido com Paulo e virar prosélitos de Israel por meio da
cincuncisão externa e guardar todo um pacote de regras incluindo as humanas rotuladas
de tradições para só então realmente serem purificados e salvos; e, como o
apóstolo Pedro era alguém muito influente e aparentemente estava se deixando levar,
outros judeus (como Barnabé) já estavam fazendo o mesmo, saindo de fininho da
mesa dos gentios crentes, e indo comer com os judeus judaizantes com toda a
pompa e ritualistica; isto é, perdendo mais de 15 minutos antes da refeição
fazendo a bênção da lavagem de mãos, bênção por cada alimento
diferenciadamente, perguntando sobre o como foi preparada as carnes, se foi um
judeu praticante que imolou e preparou ao pé da tradição.
Portanto, vemos o apóstolo
Paulo defendendo a genuidade e a liberdade do evangelho da incircuncisão que
ele estava ensinando, direcionando, aos gentios, isentando-os dos grilhões da
tradição vaidosa (e não da Torah \ Lei \ Instrução de Deus em si), que até dava
status exterior de santidade no meio judaico tradicional farisaico, mas que na
realidade, não alterava o interior, a mente, e o proceder, dos que praticavam
tais atos externos; é esta, a postura que Paulo adota em todas as sua cartas,
mostrando que é o interior renovado de um nascido de novo, que por seu novo
proceder, em amor e temor à Deus, expõe sua santidade, e não atos de mero
legalismo, tradição e vaidade exterior, que podem determinar o nível de
relacionamento com Deus como tais falsos irmãos supunham e ensinavam.
Parafraseando o
verso 14 de Gálatas 2, para um melhor entendimento, a aula que Paulo está dando
aos Gálatas, através do relato do que aconteceu em Antioquia entre ele e Pedro,
de forma pública:
“Pedro, você observou a Kashrut (Dieta
Judaica de comida Kasher\Apropriada, e preparada por judeu, ao modo judaico,
conforme tradição rabínica, seguida de bênçãos em tudo) sem exceções a sua vida
toda, e concluiu, após os eventos com Cornélio (Atos 10), e da entrada dos
gentios ao Reino de Deus, pela pregação do evangelho, de forma correta, que a
forma de tratar com os gentios crentes ou os gentios interessados em entender a
fé em Jesus o Messias, é a de não ter problemas quanto ao fazer refeições com
eles em suas mesas sempre que necessário para não se haver impedimento quanto a
comunicação do Evangelho. Mas agora, com este aí o inspecionando, você
vem com essa dissimulação de só comer conforme a Kashrut da tradição judaica
não messiânica crente no Messias, e somente à mesa com judeus; Por quê? Por
algum motivo santo? Não né, apenas para impressionar este aí que acham que a tradição atrelada ao cumprimento correto da Torah é
norma para os crentes gentios! Todavia, não é normativa pra ninguém, nem pra
gentio crente, nem pra judeu seja este crente ou não; seu comportamento e
experiências anteriores são prova de que você concorda comigo. Então, acabe com
esse teatrinho; deixe de hipocrisia; pare de fazer com que os gentios vivam
conforme a tradição judaica atrelada a Torah, eles não tem que viver por esta
tradição, e você sabendo disso tem que deixar claro a verdade tanto para os
gentios como para estes aí que, sob pressão do judaísmo tradicional farisaico com seu centro em Jerusalém, se infiltraram no meio de nós para trazer
jugo e corrupção da interpretação da essência da Torah.”
Paulo escreve com
grandes letras de forma a destacar o que ele estava tratando mostrando que se
tratava de algo muito sério e importante. Gálatas 6:11 “Vede com que grandes letras vos escrevo com minha própria mão.”
Estava havendo um verdadeiro
combate a obra que o apóstolo Paulo estava fazendo no meio dos gentios na
Galácia; e os principais interessados eram círculos influentes que
estavam por detrás de tais falsos irmãos ameaçando-os a cumprirem tal missão
caso contrário sofreriam perseguição como consequência. Gálatas 6:12 “Todos os que querem ostentar boa aparência
na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem
perseguidos por causa da cruz de Cristo.”
Estavam inclusive
atacando a pessoa de Paulo, como o mesmo dá a entender na própria carta.
Gálatas 1:10 “Porque, persuado eu agora a
homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos
homens, não seria servo de Cristo.”
A passagem para o
judaísmo tradicional farisaico pela circuncisão já havia sido no mínimo cogitada por integrantes das igrejas nas regiões da Galácia (cf.
“querer”, “procurar” em Gl 4:21; 5:4; 6:13). Contudo, como é que os gálatas poderiam retornar ao ponto de onde vieram? Acaso para à vida gentílica? Será que
nesse ponto Paulo está simplesmente igualando a pretendida dedicação à lei (transformada em um instrumento legalista pelo judaísmo tradicional farisaico) na época, com sua idolatria gentílica anterior? Se interpretássemos suas palavras
dessa maneira, porém, seguramente estaríamos forçando-as além do que dizem.
Elas afirmam somente que, apesar de diferenças fundamentais, essas duas
situações se assemelham em um aspecto: Ambas, na prática, levam ao culto aos
elementos. É nesse sentido que os gálatas estavam no mínimo cogitando retornar ao ponto em que já
estiveram uma vez. Não sendo mais os filhos e as filhas libertas por Deus, mas
outra vez escravos, outra vez no cárcere (Gl 3:23), outra vez sob vigilantes
(Gn 3:23), tutores e administradores (Gl 4:1,2).
A mensagem da cruz
atrelada ao evangelho da incircuncisão que colocava um ponto final em uma
guarda legalista da Torah por parte dos judeus (que estavam de igual modo querendo
impor sobre os gentios), resultava em perseguição (por parte do judaísmo
farisaico com seu centro em Jerusalém e do qual Paulo a princípio fazia
parte), para quem tal coisa propagasse. Gálatas 5:11 “Eu, no entanto, irmãos, se continuo pregando a circuncisão, por qual
motivo ainda sou perseguido? Nesse caso, o escândalo da cruz estaria anulado.”
Gálatas 6:13 “Porque nem ainda esses mesmos que se
circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem
na vossa carne.”
A circuncisão na
carne, por si só, não tem poder de transformar ninguém de dentro para fora proporcionando
mudança de vida, de coração, e de mente; logo, não torna o tal melhor que o
gentio não circuncidado; muito menos, o gentio não circuncidado na carne é pior
que o judeu por este ser circuncidado na carne; se deixar ser circuncidado
sendo gentio, neste caso, é negar a veracidade do Evangelho e negar Cristo como
o Messias e Salvador. Gálatas 6:15 “Pois
nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova
criatura.”